Sandra Felgueiras, a jornalista responsável pelo programa da RTP, afirmou que teria sido possível a transmissão do programa Sexta às 9 no dia 13 de setembro, com a reportagem que visava o Secretário de Estado da Energia, João Galamba, acerca da exploração de lítio.

O programa foi adiado para dia 11 de outubro, cinco dias após as eleições legislativas de 2019. Sandra Felgueiras diz que nunca, “em oito anos de coordenação” do Sexta às 9, viu o programa a ser suspenso durante um momento eleitoral.

Para a jornalista da RTP, era possível que o programa fosse emitido no dia previsto. Sandra Felgueiras foi ouvida no Parlamento, após haver um requerimento de audições, por parte do PSD, dirigido a si, à Diretora de Informação da RTP, Maria Flor Pedroso e ao Presidente da RTP, Gonçalo Reis.

‘Sexta às 9’ motiva audições no Parlamento

Eu comuniquei naturalmente à Cândida Pinto em julho que este seria o tema de andamento e de prossecução.”, acrescenta. “Objetivamente, a reportagem que iria ser emitida dia 13 de setembro era a reportagem do lítio, era isto que estava previsto“.

O mesmo não se sucedeu, pois segundo Sandra Felgueiras, no dia 23 de agosto ocorreu uma “reunião presencial” com Maria Flor Pedroso e Cândida Pinto, na qual se comunicou que o regresso de Sexta às 9 estaria marcado para 11 de outubro.

Com a justificação de que seriam feitos “ajustes em função da campanha eleitoral“, Sandra Felgueiras questiona-se sobre o período de tempo e os programas afetados pelos mesmos. “(…) os ajustes que houve foi apenas no dia 6. No dia 13 não houve nada, no dia 28 houve um programa Eu, cidadão, curiosamente feito por Cândida Pinto, dia 26 não houve nenhum especial sobre Tancos apesar de o programa Sexta às 9 ter sido o amplo difusor de um caso que o Ministério Público acabou por confirmar em acusação pública.

No dia 13 de setembro, em vez de Sexta às 9, foi adiantado para as 21 horas o programa Joker. Em comunicado no dia 30 de outubro, a RTP disse que o adiamento do programa se deveu ao facto da reportagem sobre o lítio só estar pronta horas antes da sua divulgação.

A Direção de Informação da RTP-TV jamais tolerará ser utilizada como arma de arremesso político-partidário seja por quem for”, assina Maria Flor Pedroso, Diretora de Informação, numa nota da direção editorial que também assinaram todos os elementos da sua equipa, acrescentando ainda que “A investigação, evocada pelo líder do PSD na discussão do Programa de Governo, não estava concluída durante a campanha eleitoral“.

Entretanto, também na audição no Parlamento, Maria Flor Pedroso reitera que a Direção de Informação da estação “não guarda notícias na gaveta. “À direção de informação, à coordenação da RTP, não chegou a informação de que havia a notícia X e que estava pronta para ir para o ar“.

Maria Flor Pedroso no Parlamento.

Maria Flor Pedroso em audição no Parlamento. (José Sena Gulão/Lusa)

A Diretora de Informação repetiu ainda que o adiamento do programa nada teve a ver com o tema em questão, e que o facto de se encontrarem em campanha eleitoral (ou não) é irrelevante para a emissão de uma notícia. “Se houvesse notícia sobre o lítio, ela iria para o ar assim que ela estivesse pronta para ir para o ar, em tempo de campanha eleitoral ou não.”

Para Maria Flor Pedroso, o termo “suspensão” é até questionável, dizendo que isso enverga uma “carga negativa” e que, para ela, o mesmo seria utilizado na situação de “acabar” com um programa ou na situação de “avaliar se o programa continuaria ou não“, que não era o caso ali.

Maria Flor Pedroso informou ainda que a equipa do programa foi alterada desde a sua pausa no verão, com jornalistas a sair e outros a entrar na mesma, dentro dos “parcos recursos” disponíveis. Esta situação não acontece apenas com Sexta às 9 mas com outros programas da estação.