A 13 de novembro foi confirmado pela EBU (European Broadcasting Union) que a Hungria não ia participar do Festival Eurovisão da Canção 2020, a decorrer em maio em Roterdão, Holanda. A 27 de novembro, o The Guardian escreve que talvez a Eurovisão seja “demasiado gay” para o governo de extrema-direita que está atualmente no poder na Hungria.

Recuando a 29 de outubro, a MTVA (canal que até hoje organizava a participação húngara no Festival) fez um comunicado a anunciar que o A Dal, o programa que servia de seleção do concorrente húngaro à Eurovisão, não iria na sua edição de 2020 selecionar o candidato húngaro ao concurso sendo que a justificação dada na altura foi de que “em vez de fazer parte do Festival Eurovisão da Canção 2020, vamos apoiar diretamente o valor das produções criadas pelos talentos da música pop húngara”, reduzindo a competição ao nível nacional.

Desde então não surgiram mais nenhumas justificações por parte da MTVA sobre a participação da Hungria no Festival, sendo que nunca foi dito de forma expressa que a Hungria sairia da Eurovisão 2020, o que abriu portas à possibilidade de anúncio de outro formato ou de uma seleção interna.

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Foi apenas a 13 de novembro, aquando do anúncio dos 41 países participantes na edição que acontece em Roterdão, que foi publicamente revelado que a Hungria não iria fazer parte da competição na sua edição de 2020.

Mais recentemente, e face à falta de explicações da MTVA, surgiram na imprensa mundial declarações de um jornalista não identificado na peça do The Guardian, apenas caracterizado como um apoiante do Órban – o atual primeiro-ministro húngaro – em que caracteriza a Eurovisão como uma “armada homossexual” e é concluído que dentro da MTVA é consenso, por parte dos trabalhadores, que a Hungria se retirou do Festival por este não comungar da visão do Governo húngaro, que lançou recentemente políticas intituladas de “a família primeiro”, conectadas com o aumento da retórica homofóbica promovida pelo estado.

A Hungria sai mesmo do Festival por ser “demasiado gay”?

Segundo declarações da MTVA, prestadas a 28 de novembro em reação às notícias internacionais espoletadas com o artigo do The Guardian, a estação reitera o seu comunicado anterior e que a decisão de sair do certame justifica-se com a aposta reforçada que querem fazer no seu formato nacional A Dal e no acompanhamento posterior aos artistas.

Ainda em reação às várias publicações internacionais que deram a notícia da saída da Hungria da Eurovisão por ser “demasiado gay”, Zoltan Kovas, Secretário de Estado para as Relações Públicas do Governo Húngaro, diz no twitter que esta é uma história “sensacional, fabricada para alimentar uma agenda liberal” e caracteriza as notícias como “fake news”.

De relembrar também que na edição de 2019 da Eurovisão, apresentada em Telavive, a Hungria não conseguiu apurar-se para a Grande Final, a primeira vez que aconteceu em 10 anos e apenas a terceira vez que acontece desde que as semifinais foram instituídas em 2005. Outros países, como Andorra e o Mónaco, não participam do Festival por acreditarem não valer a pena, face aos potenciais maus resultados que podem ter nas votações.

Sabendo isto, e além do desmentido da MTVA, junto dos fãs da Eurovisão a opinião consensual é de que a Hungria, atualmente sob o governo de Orbán, não se revê nos valores eurovisivos de inclusão, multiculturalismo e celebração das diferenças, além de também não apoiarem a promoção da visibilidade LGBT, algo em que a Eurovisão sempre foi pioneira no panorama da televisão europeia e mundial.