A película God Exists, Her Name is Petrunya, da cineasta macedónia Teona Strugar Mitevska, é a vencedora do Lux Film Prize, o galardão atribuído anualmente pelo Parlamento Europeu.

O filme, que é uma parceria entre a Macedónia do Norte, a Bélgica, a Eslóvenia, a França e a Croácia, conta a história de uma mulher de 32 anos, desempregada, que vive com os seus pais e que acaba de regressar de uma entrevista de emprego, quando se depara com um festival religioso. Durante o festival, uma cruz é atirada ao rio por um Padre, sendo que vários homens vieram de várias partes do país para participar na tradição religiosa cujo objetivo é apanhar a cruz, garantido um ano de sorte e prosperidade. Porém, o festival é exclusivo aos homens, o que vem a criar um grande conflito entre a sociedade e a Igreja, quando Petrunya consegue o que mais nenhum homem tinha feito.

Inspirado numa história real que a realizadora acompanhou de perto, God Exists, Her Name is Petrunya é “sobre tudo que deixa uma mulher frustrada sobre ser mulher”. “Tinha o objetivo de começar uma discussão e posso dizer que o consegui fazer” confessou Mitevska esta terça-feira (26) no Parlamento Europeu em Estrasburgo.

O cinema é uma media incrivelmente poderosa. Dá-nos o poder de fazer a diferença. E enquanto mulher do cinema é o que tento fazer. Eu não sei não tentar fazer a diferença”, respondeu a cineasta quando questionada sobre a ligação entre o ativismo e a sétima arte; sobre a percetibilidade das barreiras que dividem os dois mundos. “Falo sobre injustiças sociais, sobre injustiças económicas… Penso que contribuo para as mudar. E eu penso que mesmo quando não somos políticos, estamos a ser políticos. Vivemos num mundo onde é impossível não ser político”, continuo a realizadora.

Teona Strugar Mitevska contou ainda a reação da Igreja macedónia à mensagem do filme, sendo que durante a pré-produção, ainda antes de se saber se o filme receberia a green light, a Igreja respondeu ao guião com a mensagem “Não queremos ter absolutamente nada a ver com este filme. Deus existe, e é um homem”, contou entre risos.

Defensora de que o cinema europeu traz uma energia necessária ao mundo, Mitevska concluiu que “agir muda o mundo” e que esse é o seu principal papel enquanto realizadora. “Considero o meu dever falar sobre os problemas que ninguém levante. Como poderemos criar um futuro melhor se não ousarmos? Sou mulher. Sou macedónia. Sou europeia. E acredito que o futuro da Europa está na inclusão e não na exclusão“, finalizou a realizadora durante a entrega do Prémio Lux esta quarta-feira (27) no Parlamento Europeu.

Entregue todos os anos desde 2007, o Lux Film Prize faz parte da estratégia do Parlamento Europeu para apoiar o setor audiovisual e incentivar uma construção de identidade cinematográfica europeia. O filme vencedor é também adaptado para pessoas com incapacidades visuais ou auditivas e recebe apoio para a sua promoção a nível internacional.

Portugal já foi selecionado anteriormente duas vezes para figurar entre os principais três nomeados, a primeira vez com Belle Toujours de Manoel de Oliveira, em 2007, e a segunda com Tabu, de Miguel Gomes, em 2012. Mistérios de Lisboa e Cartas da Guerra figuraram também entre as seleções de nomeados, mas não chegaram ao Top 3 antes da fase final da premiação.