Faleceu José Mário Branco, um dos maiores cantautores portugueses. Tinha 77 anos e um percurso incomparável que se estendeu desde a música de intervenção da Revolução de Abril. Foi o compositor de algumas das canções mais emblemáticas do 25 de Abril, como “Eu vim de longe” e “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

José Mário Monteiro Guedes Branco nasceu no Porto em 1942. Filho de professores, foi estudante de História nas Universidades de Coimbra e do Porto, curso que nunca chegou a acabar. Foi perseguido pela PIDE por ser militante do Partido Comunista Português e teve de se exilar em França em 1963, regressando apenas em 1974 com o Grupo de Ação Cultural – Vozes na Luta!, com o qual gravou dois discos, A Cantiga É Uma Arma (que é o título de outra emblemática canção do cantautor) e Pois Canté!!

Gravou ao todo 11 discos e, em abril deste ano, foi lançado um disco em homenagem ao cantor, Um disco para José Mário Branco que conta com rendições do músico por artistas como Osso Vaidoso, Ermo, Primeira Dama, JP Simões. Para além da música, José Mário Branco compôs ainda noutras vertentes como o cinema, o teatro e a televisão e integrou A Comuna. Em 2006, já com 64 anos, iniciou uma licenciatura em Linguística, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A sua música tocou milhares de portugueses e influenciou grande parte dos dos músicos que hoje fazem música em Portugal como, entre muitos outros, os Linda Martini, Benjamim Madrepaz que publicaram homenagens a José Mário Branco logo pela manhã nas redes sociais. As homenagens não se restringem à música: o autor Valter Hugo Mãe publicou uma fotografia do músico com a legenda “toda a música portuguesa empalidece. que génio perdemos agora. que tristeza esta porcaria chamada morte.”.

Não existiria Madrepaz, se não tivesse existido José Mário Branco.Boa viagem e obrigado pelo legado🙏Foto do arquivo Gesco

Publicado por Madrepaz em Terça-feira, 19 de novembro de 2019