Desde a cena do chuveiro em Psycho ao ataque na bomba de gasolina em Os Pássaros, várias são as cenas inesquecíveis que fazem parte do currículo de um dos mais famosos realizadores de Hollywood, Alfred Hitchcock. Porém, há muitos segredos que, com certeza, nem todos conhecem acerca do Mestre do Suspense. Para assinalar o 120.º aniversário do seu nascimento, o Espalha-Factos preparou uma lista de factos e curiosidades.

1. Hitchcock começou por trabalhar no cinema mudo

Hitchcock curiosidades

Conhecido pelas suas sequências complexas e filmes inesquecíveis, Hitchcock começou a sua carreira no início da década de 1920, como designer de cenários para filmes mudos. O cinema, na altura, era muito diferente daquele que Hitchcock viria a realizar. Era mais inocente, mais sensível, ainda muito longe das atrocidades e complexidades que viriam a chocar aqueles que admiravam o grande ecrã.

2. Blackmail estreou o cinema falado em Inglaterra

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Nos Estados Unidos, The Jazz Singer fez história ao tornar-se o primeiro filme falado em 1927, tratando-se de um musical. O acontecimento foi um grande momento de mudança para a história do cinema, não só porque colocava toda a esperança num futuro enérgico e moderno, como também colocava tudo o que era anterior à inovação numa pequena caixa que ficou esquecida. Os atores do cinema mudo enfrentaram grandes problemas ao entrarem no Novo Cinema.

Na Europa a situação chegou mais tarde. Em 1929, Alfred Hithcock realizava Blackmail, o seu primeiro grande sucesso que veio a ser totalmente falado, ao contrário do que o cineasta inicialmente previa. Blackmail representou, então, um grande momento de viragem no cinema britânico.

3. Participou em vários dos seus próprios filmes

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Conhecido pelas suas habilidades atrás da câmara, Hitchcock mostrou que sabia fazer mais do que realizar. Apesar de nunca ter tido qualquer personagem de relevância, o cineasta passou várias vezes para o outro lado da câmara, para fazer meros segundos de figuração. O único filme em que o realizador realmente chegou a falar foi The Wrong Man, mas foram apenas algumas palavras.

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4. Nunca venceu um Óscar

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Hitchcock com o Irving G. Thalberg Memorial Award, em 1968

Apesar de ser um dos mais conhecidos realizadores da história do cinema, Alfred Hitchcock nunca chegou a levar uma das estatuetas para casa. O cineasta foi nomeado algumas vezes, através de filmes como Rebecca (vencedor de Melhor Filme), Lifeboat ou Rear Window, mas sempre que chegava a altura de entregar a estatueta ao seu justo vencedor, o prémio ia parar às mãos de outro nomeado.

Quando a Academia finalmente lhe premiou com o Irving G. Thalberg Memorial Award, pelo seu trabalho como produtor ao longo dos anos, Hitchcock deu apenas um discurso de cinco palavras: “Thank you, very much indeed!” (“Muito obrigado, muito obrigado mesmo“, em português).

5. Doris Day suspeitava que Hitchcock não prestava qualquer atenção à sua atuação

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Doris Day e Alfred Hitchcock nos bastidores de ‘O Homem que Sabia Demais’

Doris Day, que protagonizou O Homem que Sabia Demais, acreditava que o realizador estava mais ocupado com as câmaras e as luzes do que propriamente com a sua atuação. Perturbada pela situação, a atriz acabou, mais tarde, por confrontar o realizador, sendo que este lhe terá confessado que não tinha razões para se preocupar com a sua atuação, daí parecer menos atento. “Minha querida Miss Day, se não me desse aquilo que eu queria, aí teria o trabalho de a dirigir!”, confessou o realizador à atriz.

O Homem que Sabia Demais é exibido esta noite (14), pelas 22h00, no TVCine 2.

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6. Depois de Psycho começar, ninguém entrava na sala de cinema

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Psycho é um marco na história do cinema e, provavelmente, o maior marco da carreira do realizador britânico. Pode argumentar-se que as inovações técnicas foram a maior razão para o sucesso do filme, tão arrojado para a altura, mas a verdade é que o final do filme tem uma reviravolta muito inesperada, que Hitchcock não queria que fosse relevada.

Para evitar que a surpresa fosse estragada e que não se acompanhasse a história desde o início, o realizador proibiu a entrada de qualquer pessoa na sala de cinema, se a transmissão já tivesse começado.

7. Murnau ensinou-lhe tudo o que sabia

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Em 1924, Hitchcock e a sua mulher, Alma, foram enviados para a Alemanha pela Grainsborough Pictures, a produtora britânica com a qual o realizador mantinha o contrato para a realização de dois filmes anglo-germânicos: The Prude’s Fall e The Blackguard. Durante esse tempo, Hitchcock acabou por conhecer o famoso F. W. Murnau, realizador do expressionismo alemão, mestre do filme mudo.

Murnau realizou filmes como Sunrise e Nosferatu, que veio a servir de modelo de inspiração para Dracula, anos mais tarde, filmes que ainda hoje são estudados por qualquer estudante de cinema. “Com Murnau aprendi a contar uma história sem necessitar de dizer uma única palavra”, contou o realizador britânico.

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