A emissão de Sexta às 9, na RTP1, do dia 13 de setembro não chegou aos portugueses na data prevista – e pode não ter sido por causa do azar associado à sexta-feira 13.

O programa não regressou na segunda semana de setembro, como previsto, e a emissão do episódio foi adiada para 11 de outubro, cinco dias depois das eleições legislativas de 2019.

Esta situação levou a um requerimento, por parte do PSD, de audições no Parlamento. Foi dirigido à Diretora de Informação da RTP, Maria Flor Pedroso, ao Presidente da RTP, Gonçalo Reis, e à jornalista responsável pelo programa, Sandra Felgueiras.

“O motivo subjacente à decisão de adiamento do programa ‘Sexta às 9’ por parte da RTP, torna-se particularmente relevante e exige ser esclarecido, dado que é dever da estação pública de Rádio e Televisão proporcionar uma informação isenta, rigorosa, contextualizada e plural, assegurando a sua independência face aos interesses setoriais e ao poder político, apresenta o requerimento, e acrescenta ainda:

A diretora de informação da RTP, Maria Flor Pedroso, justificou o facto do programa conduzido pela jornalista Sandra Felgueiras ter sido adiado de setembro para outubro, devido a ‘ajustes de programação em função da cobertura da campanha eleitoral’. No entanto, vendo no site da RTP, verifica-se que foi a primeira vez que tal aconteceu. O programa nunca foi alterado em função de eleições.

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O episódio emitido a 11 de outubro, o primeiro depois do ato eleitoral, incluiu uma reportagem sobre a polémica da exploração de lítio em Montalegre, assunto que paira em praça pública há mais de um mês.

Os sociais-democratas têm pressionado recorrentemente o Governo quanto à concessão da exploração de lítio. O partido de oposição mostra-se também insatisfeito com as justificações dadas sobre o adiamento do regresso do programa da RTP.

No requerimento apresentado, lê-se: “É do conhecimento público que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) confirma ter recebido participações referentes ao facto de o programa ‘Sexta às 9’ ter estado ausente da emissão da RTP desde o dia 19 de julho, e o seu regresso ter acontecido a 11 de outubro e não no dia 13 de setembro”.

O mês de outubro fechou com João Pedro Matos Fernandes (Ministro do Ambiente) a defender na Assembleia da República a exploração do lítio. Para o ministro, o lítio é uma fonte “absolutamente fundamental para a transição energética“.

Já esta semana, João Galamba (Secretário de Estado Adjunto e da Energia) afirmou ter sido “obrigado” a conceder a exploração à empresa Lusorecursos Portugal Lithium, de acordo com a lei e com um contrato assinado em 2012 (durante o Governo de Passos Coelho).