A fadista portuguesa Teresa Tarouca faleceu hoje aos 77 anos. Fonte próxima da família da artista disse à agência LUSA que a origem da morte está relacionada com uma pneumonia dupla. Morreu esta madrugada no Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa.

O corpo da fadista seguirá esta segunda (11) pelas 17 horas para a Basílica da Estrela, em Lisboa. O funeral está previsto para terça-feira (12) de manhã, com local por confirmar.

A “menina-prodígio” dos anos 50

Teresa de Jesus Pinto Coelho Telles da Silva, assim era o nome completo da fadista mais conhecida por Teresa Tarouca, apelido que adotou e que era originário da sua própria família.

Fotografia: Museu do Fado

Nasceu a janeiro de 1942 e cresceu no ceio de uma família já com raízes na música portuguesa. Era prima de Frei Hermano da Câmara e prima afastada de Maria Teresa de Noronha. Começou a cantar com a tenra idade de 11 anos e na década de 50 já era considerada um pequeno prodígio.

A sua estreia oficial foi aos 13 anos, no Salão de Bombeiros de Oeiras – atuação recordada pelo site do Museu do Fado.

O primeiro disco é gravado em 1962, com a ex-editora RCA, e dois anos depois é premiada com o Prémio da Imprensa ou Prémio Bordalo, na categoria “Fado”.

Começando por Fernando Pessoa, cantando pelo mundo

Teresa Tarouca foi a primeira fadista portuguesa a cantar poemas de Fernando Pessoa, mas cantou ao longo da sua vida também poemas e músicas de artistas como João de Noronha, Alfredo Marceneiro, Pedro Homem de Mello, Francisco Viana, Maria Manuel Cid, entre outros.

Mouraria“, “Deixa Que Te Cante Um Fado“, “Fado, Dor e Sofrimento“, “Passeio à Mouraria” ou “Saudade, Silêncio e Sombra” são algumas das canções mais conhecidas da fadista, que também fez carreira internacional.

Teresa, a “menina-prodígio”, atuou em países como Dinamarca, Bélgica, Espanha, Estados Unidos, Brasil, entre outros – numa época em que o mundo não era tão global como é hoje, e atuar no estrangeiro mais difícil do que é agora.

Depois de uns anos em que se afastou das lides artísticas, Teresa regressa para participar no musical “Fado… Esse Malandro Vadio!”, de João Núncio, em 2008. A 7 de Junho de 2013 passou a ser Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique. No mesmo ano ganhou também o “Prémio Carreira”, na 8.ª edição dos Prémios Amália.

Faleceu esta segunda-feira (11), aos 77 anos, em Lisboa.