O Super Bock em Stock, que durante os dias 22 e 23 de novembro invade a Avenida da Liberdade, em Lisboa, já tem cartaz fechado. Esta edição conta com a participação de 54 artistas que ocuparão mais de dez salas da famosa avenida lisboeta.

O Espalha-Factos sabe que não é fácil escolher entre tantos concertos e, por isso, ajuda-te nesta tarefa. Abaixo estão dez artistas que não vais querer perder.

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Cartaz do Super Bock em Stock 2019 | Fonte: Super Bock em Stock

1. Helado Negro

O americano Roberto Carlos Lange, mais conhecido como Helado Negro, apesar de compor desde o ínicio dos anos 2000 tem vindo a criar um nome ressonante no mundo do synth-folk desde o lançamento do seu primeiro disco Awe Owe, em 2009.

Em dez anos, dez álbuns se juntaram à discografia, incluindo a “série infinita de músicas produzidas pelo próprio Helado Negro“, Island Universe Story que, até à data, conta com quatro volumes. O seu último disco, This Is How You Smile é uma belíssima obra com canções como ‘Please Won’t Please’ (que ecoa as mensagens do álbum Private Energy, um belíssimo epinício às dificuldades que é ser latino nos Estados Unidos da América).

Sempre no limbo entre o espanhol e o inglês, as músicas de Helado Negro ora se focam na infância e pais imigrantes, ora num futuro idealizado que acaba por se manifestar como precário. As suas músicas criam sempre uma aura muito particular e um exemplo perfeito disto é a bilingue ‘País Nublado’,  que explora a incerteza de um futuro tão cinzento quanto o céu nublado.

O cantor apresenta a banda sonora perfeita para um fim de tarde de outono na Sala Manoel de Oliveira do Cinema S. Jorge, no dia 23 de novembro.

2. Baleia Baleia Baleia

O conceito do grupo Baleia Baleia Baleia nasceu a partir de “jams informais numa sala de Cedofeita, no Porto.“, como é referido num artigo sobre o último álbum da banda Baleia Baleia Baleia no Ípsilon, complemento cultural do Público. No mesmo artigo, Mário Lopes descreve o estilo da banda como “rock satírico, rock catarse, rock à séria”, uma sinopse perfeita daquilo que a dupla portuense tem vindo a fazer desde a formação da banda, em 2017. No álbum homónimo, Manuel Molarinho e Ricardo Cabral fundem rock e punk mordaz epitomizados em músicas como ‘Sacaplicação’ e ‘Quero Ser um Ecrã’.

Depois de várias atuações ao longo do verão, incluindo o eletrizante concerto no Festival Bons Sons, os Baleia Baleia Baleia vão até à Sala Rádio SBSR (ou Estação Ferroviária do Rossio) no dia 23 de novembro para um concerto mais outonal mas, nem por isso, menos caloroso.

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Baleia Baleia Baleia por Inês Leal | Fonte: Divulgação Super Bock em Stock

3. Nilüfer Yanya

Nos últimos três anos, a cantora indie Nilüfer Yanya tem ganho um espaço de destaque na cena musical inglesa. Nasceu e cresceu em Londres, mas tem heranças turcas, irlandesas e barbadianas que influenciaram muito a sua educação musical.

Aprendeu a tocar guitarra aos 12 anos com o produtor musical e membro da banda de The Invisible, Dave Okumu tendo levado consigo algumas inspirações que hoje se sentem no tom dreamy dos seus temas.

O seu primeiro single foi lançado em 2014 no SoundCloud mas foi só em 2017 que Nilüfer Yanya lançou o seu primeiro EP, Plant Feed. Em março de 2019 agraciou-nos com um álbum composto por 17 canções originais, Miss Universe, um disco muito bem recebido pela crítica, não só pelos temas que aborda (como a ansiedade), mas também pela estética dos elementos visuais como a capa e as fotografias que acompanham o disco, e o aspecto lo-fi de alguns dos seus vídeoclipes.

Em 2017, foi a 18.ª colocada na lista das “100 melhores músicas do ano” da Pitchfork com o tema ‘Baby Luv’ que certamente fará parte da setlist do seu concerto no dia 22 de novembro na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge.

4. Club Makumba

A dupla Club Makumba começou a ser pensada, ainda que de maneira muito abstrata, em 2004. A meio de uma digressão da banda Wraygunn, João Doce Tó Trips  acharam interessante o segundo formato: Tó na guitarra e João Doce na percussão.

12 anos depois, em 2016, gravaram o EP Sumba. Para acalorar os já tons quentes da dupla juntam-se Gonçalo Prazeres no saxofone e Gonçalo Leonardo no contrabaixo. Segundo comunicado, os Club Makumba têm influências “de música mediterrânica, numa geografia primitiva sem qualquer preconceito no que diz respeito a raízes e fronteiras”. 

O concerto no Super Bock em Stock é uma curadoria do lendário roqueiro The Legendary Tigerman e é o primeiro da banda. Tocam no dia 22 de novembro no Palco Santa Casa (Garagem EPAL).

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Club Makumba | Fonte: Divulgação Super Bock em Stock

5. Luís Severo e Convidados

O autor de um dos melhores discos de língua portuguesa de 2019, Luís Severo, tem dado o que falar desde o lançamento do seu primeiro disco Cara D’Anjoem 2015. O cantautor de Odivelas conquista os públicos com a sua abordagem intimista de temas do quotidiano – no seu segundo disco, Luís Severo, canta o desencanto relativamente ao caos urbano, a gentrificação e o comodismo (“Com o passar dos anos/Cruzamos oceanos/E deixamos tudo igual“).

Em maio deste ano, Severo lançou O Sol Voltou, um disco mais colorido, pessoal e confessional que o anterior. Com uma componente mais folk e com fado à mistura, o álbum foi composto, gravado e tocado exclusivamente pelo artista e parece buscar inspiração a artistas como Sérgio Godinho e Leonard Cohen. Após um concerto de apresentação completamente a solo e vários concertos desde então (incluindo um sunset no Lux, um concerto com Catarina Branco no Bang Venue, em Torres Vedras, e uma série de concertos intimistas entitulados “Guitarrinha” no Art Room, em Lisboa), Luís Severo convida agora um trio de cordas (harpa, violoncelo e contrabaixo) para dar um novo ar às suas canções.

O cantor toca no dia 22 de novembro no Teatro Tivoli BBVA.

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6. Ady Suleiman

Natural de Gratham, Inglaterra, Ady Suleiman nasceu numa casa com muita música“. A vasta coleção de discos do seu pai influenciou o cantor desde cedo, ajudando a construir a sua sensibilidade musical. Começou a compor aos 14 anos, mas só após acabar os estudos é que decidiu levar a cabo uma carreira na música.

Depois de ter sido premiado com Breakthrough Act of the Year nos Worldwide Awards do DJ e radialista Gilles Peterson, Ady Suleiman assinou pela produtora Sony. Desde então lançou dois álbuns, Memories (2018) e Thoughts and Moments Vol. 1 Mixtape (2019) e vários singles e EPs. Uma mistura de pop, soul e R&B, as canções francas que refletem as suas experiências pessoais de uma maneira muito intimista serão apresentadas no dia 23 de novembro no Teatro Tivoli BBVA.

Ady Suleiman

Ady Suleiman

7. Marinho

Com o seu álbum de estreia acabado de sair do forno ( ~, pronunciado til, ou tilde em inglês), Marinho revela-se como uma lufada de ar fresco no panorama do folk-rock em Portugal. Tirando inspirações do cinema de Hollywood  e com um estilo fortemente enraizado no folk americano, a cantora lisboeta tenta compreender a linha ténue que separa as expectativas criadas pelo cinema e pela televisão, altamente romantizadas, e uma realidade menos colorida.

Após um concerto de apresentação intimista na Galeria Zé dos Bois em outubro, Marinho traz agora músicas como ‘Freckles’, ‘I Give Up and It’s Ok’ e ‘Joni’ (uma homenagem à cantora Joni Mitchell, cujo vídeo foi lançado  a 7 de novembro) à Sala Ermelinda Freitas (Máxime) a 22 de novembro.

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Marinho por Vera Marmelo | Fonte: Facebook Marinho

8. Michael Kiwanuka

Outro dos cabeças de cartaz desta edição do Super Bock em Stock é Michael Kiwanuka, um artista de soul e “retro-pop” baseado em Londres. Filho de pais refugiados ugandeses, é musico e musicólogo, tendo estudado jazz na Royal Music Academy e música pop na Universidade de Westminster.

O cantautor de 32 anos estreou-se em Portugal em 2012 no CoolJazz Fest e passados cinco meses voltou para apresentar o seu álbum de estreia, Home Again, no Vodafone Mexefest. Na altura, sentiu que “o êxito ainda não tinha chegado a Portugal”.

12 anos depois, regressa com mais três discos (o mais recente foi editado em outubro deste ano e é entitulado KIWANUKA) e vários EPs na bagagem. O tema principal da série Big Little Lies, ‘Cold Little Heart’, foi retirado do seu álbum de 2013 Love & Hate.

O britânico apresenta-se no Coliseu dos Recreios, a 22 de novembro, e a nossa esperança é que, desta vez, sinta mais o fulgor do público português.

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Michael Kiwanuka por Olivia Rose | Fonte: Facebook Michael Kiwanuka

9. Viagra Boys

Com um nome tão post-punk como as músicas que compõem, os Viagra Boys juntaram-se em 2015, depois de, à moda de High School Musical, quando Sebastian Murphy mostrou o seu talento como vocalista numa sessão de karoke.  Desde então, lançaram um disco, Street Worms e têm se estabelecido enquanto referência do rock escandinavo.

Com uma energia contagiante que se pôde sentir na passada edição do Primavera Sound, os Viagra Boys apresentam-se na Sala Rádio SBSR (Estação Ferroviária do Rossio) no dia 23 de novembro.

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Viagra Boys | Fonte: Divulgação Super Bock em Stock

10. Haute

Os Haute, dupla formada por Anna Majidson Blasé, são franceses mas cresceram do outro lado do atlântico. Cruzaram-se na Universidade de McGill, em Montreal, mas foi em Paris que, por acaso, se conheceram. Com uma aura pop mais virada para a eletrónica, a discografia do grupo é composta por vários singles e um EP, Reciprocity, lançado em 2015.

O duo tem concerto marcado para o dia 23 de novembro no Coliseu dos Recreios.

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O Espalha-Factos preparou uma playlist com os artistas em destaque neste artigo e outros que atuarão ao longo dos dois dias do Super Bock em Stock.