São centenas os convidados, dezenas as conferências que percorrem os quatro dias de Web Summit em Lisboa. Mas são ainda mais os empresários, empresas e startups que estão presentes todos os dias, para lá das sessões que preenchem o calendário do evento.

É na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em frente ao Altice Arena, que encontramos quatro pavilhões repletos de palcos secundários, mostras e ativações que mostram que este é um mundo com muito para explorar.

O tempo nem sempre permite explorar cada parte do espaço de mostra da cimeira. É normal: a quantidade de informação reunida num só pavilhão é imensa, mas há sempre algo que capta a atenção dos espectadores, o que, no fundo, é o objetivo principal de quem por lá está.

Desde competições para se perceber quem apresenta as melhores propostas, passando pelas grandes marcas que estão presentes para mostrar o que fazem de melhor (sejam da área tecnológica ou nem por isso), terminando nas startups alpha e beta que tentam atrair os investidores com propostas originais, há de tudo e, talvez, para todos os gostos.

Os gigantes que tentam ser ainda maiores

Ao entrar em cada um dos quatro pavilhões da FIL, saltam à vista os logótipos das grandes empresas que bem conhecemos, nacionais e internacionais, com presença em Portugal ou não. Aqui, aproveitam para fortalecer a presença da marca nos vários contextos que representam e, acima de tudo, promover determinados segmentos de atuação específicos.

Destacam-se, entre os demais, os gigantes da tecnologia mundial. A Google é uma das primeiras que chamam à atenção à entrada da zona de mostra do Web Summit. Logo no início do primeiro pavilhão, o stand da multinacional está dividido em três zonas, que têm propósitos bastante diferentes. Um dos espaços era específico para pequenas conferências, dadas por profissionais da empresa ou convidados pela Google.

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Noutro, um espaço comum com coffeeshop integrada, há uma mesa de reuniões, espaço para trabalhar, elementos interativos que consciencializam para um melhor uso da tecnologia e, até, uma experiência. Aqui, todos os visitantes podem sentar-se num baloiço e, agarrando no mesmo com as duas mãos, iluminam o local apenas recorrendo à eletricidade estática dos corpos humanos.

O espaço da Google é um dos que se destaca, mas é só um exemplo ilustrativo do que pela FIL se vê. Outras empresas como a Huawei, a Amazon e os seus web services, a Samsung, a Cisco ou a Siemens têm espaços no local para promover os seus vários segmentos. Mas não são só os gigantes tecnológicos que têm espaço na maior conferência de tecnologia e inovação do mundo.

Marcas de automóveis, bancos, produtos cosméticos ou serviços hoteleiros têm representação no local, mostrando as formas como a tecnologia permite inovar os seus serviços e oferta. Ou, até mesmo, o vestuário; é o caso da Tommy Hilfiger e da Calvin Klein, conhecidas marcas que, num espaço conjunto, apresentaram a inovação da impressão e estampagem em 3D nas peças de roupa.

Os iniciantes a mostrar o que valem

Entre as grandes empresas, estão aquelas que, no fundo, são uma das razões para o sucesso do Web Summit: as startups. À medida que a conferência cresce, aumenta o interesse dos gigantes no evento, assim como as críticas à aparente falta de espaço para os pequenos players que querem mostrar todo o seu potencial.

Mas, na verdade, eles estão lá. E são das mais diversas áreas: clean tech, analítica, hardwareIoT, moda, medicina, software, entre várias outras. O objetivo principal é atrair investidores para o seu produto, tendo-se, para tal, em conta questões como a originalidade e capacidades de solução de problemas.

Para se destacar, uma startup tem de ter um ângulo de negócio inventivo, ou, pelo menos, saber vendê-lo como tal. Torna-se, assim, essencial ter a lição bem estudada, uma vez que algumas das empresas apenas podem estar na conferência durante um dia.

Fotografia: Tiago Serra Cunha/EF

O facto de estarem no maior evento da área a nível global traz as suas vantagens; mas também, complicações, uma vez que, no meio de centenas, o destaque destas para as companhias, media e investidores pode ser algo complicado de conseguir, correndo o perigo de se diluírem entre os milhares de pessoas com o mesmo objetivo. Há, por isso, a necessidade de estender esse esforço aos restantes momentos da conferência, com conversas, networking e o poder de fazer crer que o seu negócio é aquele em que importa investir.

A ideia, de qualquer modo, é colocar as novas empresas no centro. Numa conferência que junta mais de 70 mil visitantes (números da edição do ano passado), desde os investidores aos jornalistas, criando formas para que estes consigam estabelecer conexões valiosas para que o seu negócio possa prosperar. Há ainda workshops, coordenação profissional e iniciativas como horas de mentoria e encontros diretos com investidores para que consigam levar o trabalho a bom porto.

Fotografia: Tiago Serra Cunha/EF

Mesmo que as grandes empresas considerem o Web Summit cada vez mais atrativo para se continuarem a posicionar como tal, o evento continua a ser essencial para as empresas que se estreiam neste competitivo mundo. Aqui, têm uma montra para mostrarem ideias que podem vir a valer milhões e tornar-se, quem sabe, na próxima grande promessa da tecnologia aplicada às necessidades da sociedade.

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