As compras natalícias em Portugal prometem ser animadas em 2019. Isso é o que indica a análise dos números da Black Friday de 2018. A Black Friday é uma sexta-feira no final de novembro que foi instituída mundialmente como um marco para bons saldos – muitos itens são comercializados por metade do preço praticado durante todo o ano.

Em 2019, a data está programada para acontecer em 29 de novembro. Devido à proximidade com o Natal, a Black Friday Portugal está a afirmar-se como um período bastante vantajoso para garantir a compra de presentes aos entes queridos: no ano passado, as vendas em Portugal na data corresponderam a uma subida de 792% face aos resultados de um dia comum no comércio.

Compras online também ganham espaço e proporcionam uma comodidade na hora de pesquisar preços, por esta razão os catálogos online, como por exemplo, o Media Markt promoções, geram satisfação a quem procura realizar bons negócios.

Embora as grandes cadeias de lojas tendam a ter maior margem operacional para negociar descontos mais impressionantes, os pequenos e médios lojistas têm aderido à tendência de dedicar um dia no ano a baixar os preços dos produtos. Mas ainda há espaço para difundir mais a prática.

Potencial de crescimento

O interesse de consumidores em saldos do Black Friday em Portugal já é expressivo, mas ainda inferior à média mundial: nacionalmente, as buscas por artigos em saldo no Google aumentaram 25,8% em 2018, comparado com 33,4% no resto do mundo.

Em alguns lugares do mundo, o desempenho do comércio é bastante surpreendente. O Reino Unido é um desses países, com um aumento de vendas de 1.708% registado em 2018.

A Alemanha e a Nigéria são outros países que adotam a data como uma oportunidade de ouro: por lá, os aumentos de vendas foram de 2.418% e 1.331%, respetivamente. Por fim, a África do Sul vem somar ao continente africano uma marca nada desprezível de vendas, 1.952% superiores do que em dias de venda comum.

O portal Black Friday Global compilou dados de consumo que indicam ótimas oportunidades comerciais para a data em Portugal.

O consumidor médio que adere a essa época de saldos adquire cerca de três produtos na ocasião. Para essa compra, planeia gastar 216 euros, em média. Os números também revelam que o português médio não quer correr o risco de deixar acabar o stock dos seus sonhos de consumo: nessa fatídica data, o auge da atividade no comércio online dá-se logo à meia-noite e pela manhã, entre as 10 e 11 horas.

Por outro lado, os dados estatísticos comparativos de 2017 e 2018 para o período de saldos indicam uma queda na vantagem dos preços. No primeiro ano, o desconto médio era de 56% em produtos variados. Já no ano seguinte, a redução foi de 54%. Em todo caso, as condições de compra ainda são bastante vantajosas em comparação a um dia normal de vendas.

Para efeito de comparação, no mundo, é no mercado ucraniano que são oferecidas as condições mais vantajosas de preços – 64% inferiores aos habituais. Apesar disso, os descontos portugueses estão em linha com a média internacional. São muito mais vantajosos do que os descontos suecos, por exemplo, de apenas 45%.

Por fim, vale mencionar as preferências nacionais portuguesas de compras no período em questão.

Em primeiro lugar, vêm os itens de vestuário. Em segundo, os calçados. Em seguida, os cosméticos e perfumes. Em quarto lugar, vêm os produtos electrónicos e, em quinto, os presentes.

De onde veio a “sexta-feira negra”?

Mas de onde veio essa curiosa “nova tradição” do Black Friday? O berço desse “dia santo dos saldos” só poderia ser no maior mercado consumidor do mundo – os Estados Unidos. No entanto, a precisa criação da sexta-feira negra é um mistério, para o qual foram criadas algumas explicações bastante diversas entre si.

A primeira delas faz menção à questão racial, tão delicada no contexto norte-americano. De acordo com essa versão, a sexta-feira negra era uma data de saldos para o comércio de escravos – fazendo do uso dessa data comercial nos dias de hoje uma maneira de “purgar” uma origem espúria.

De fato, quando o adjetivo “negro” é associado a datas, geralmente indica coisas más. É o caso de diversas ocasiões no mercado financeiro norte-americano, registadas desde o século XIX – como a famosa “quinta-feira negra”, em 1929.

Outra explicação para o advento da data é menos específica, mas aponta o surgimento do termo em jornais dos Estados Unidos nos anos 1950. Por lá, o dia acontece logo na sequência do Dia de Ação de Graças, feriado prolongado.

Além de ser muito apropriado para descansar, o tempo livre dessa data foi visto por toda a comunidade de lojistas como uma ótima ocasião de “aquecer” o comércio. Nos anos 1990, a data virou um período de saldo em nível nacional, e no começo dos anos 2000 tornou-se a maior data de vendas no ano.

Qualquer que seja a explicação mais próxima da realidade, o facto é que vivemos num mundo multiconectado. Por isso, no começo do século XXI, a sexta-feira negra mostra-se um dínamo do setor do retalho não apenas na América, mas também no resto do mundo.