Jean-Michel Jarre aproveito a sua passagem pelo último dia da Web Summit para promover a sua aplicação móvel. O reconhecido músico francês falou também sobre a importância da tecnologia no futuro da música.

Com mais de 40 anos de carreira, Jean-Michel Jarre é um dos maiores nomes da música electrónica mundial. O músico, agora com 71 anos de vida, sempre esteve no limiar da tecnologia e, em 2019, ainda tem vontade de experimentar novas áreas.

Jarre aproveitou a sua passagem pela Web Summit em Lisboa para promover EōN, uma aplicação concebida pelo próprio, em parceria com a Sony Computer Science Laboratories. O objetivo consiste em propocionar “uma experiência incomparável através de inúmeras horas de música original” criada por um algoritmo.

A aplicação é paga e, por enquanto, está apenas disponível para o sistema operativos da Apple. No início de 2020 será lançada uma versão para o Android.

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“A IA vai dar muitas possibilidades”

Sob o mote “A música em 2030”, Jean-Michel Jarre esteve no palco principal da Web Summit para partilhar algumas das suas ideias sobre o estado atual da música. Para o artista, existe uma dualidade de perspetivas sobre o futuro: há o “futuro brilhante” e o “futuro distópico”. O músico fundamenta esta ideia ao afirmar que o cerne da questão faz parte do ADN do ser humano.

“É comum ver um indivíduo pensar que o ontem era ótimo e o presente e também o futuro como horríveis. Penso que isso seja assim, porque uma pessoa tem medo que o futuro não faça parte dos seus planos. [Afinal de contas] somos mortais”, explica.

Desde 1972, ano em que editou o seu primeiro disco, a tecnologia sempre foi essencial na música que Jarre. Nos dias de hoje, vê com muito entusiasmo a Inteligência Artificial como uma ferramenta musical. “A IA vai dar muitas possibilidades. Passo a explicar: a minha cor favorita é o cinzento, porque está entre o preto e o branco. Os músicos estão nesse ‘meio’. O IA vai permitir que os artistas possam ter um campo cinzento ainda maior”, salienta.

Jean-Michel Jarre vendeu mais de 80 milhões discos em todo o mundo e detém o recorde do concerto ao ar livre com mais espetadores de sempre. O evento aconteceu em 1997 em Moscovo com uma plateia com cerca de três milhões e meio de espetadores.

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