No último dia da Web Summit 2019, o palco Content Makers apresentou uma sucessão de painéis sobre as grandes plataformas de media e os conteúdos que produzem. Televisão e Internet estiveram em foco.

David Graff, responsável pela moderação de conteúdos da Google, foi o primeiro a pisar o palco localizado na FIL. A política da empresa sobre o controlo do que é publicado nas suas plataformas serviu de tema para a conversa.

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A publicidade é das principais fontes de rendimento dos sites da Google e um “privilégio” para a empresa. Não obstante, David garante que há “uma grande exigência sobre os conteúdos dos anúncios”. Quanto à publicidade política, por agora, “é tratada de forma igual às outras” pela Google.

Os desafios de controlo de conteúdos são exigentes e as empresas têm “de estar atentas a coisas perigosas”. Um dos fatores importantes é a liberdade intencional que a Google pretende dar aos seus utilizadores. “Estas características podem ser usadas para espalhar discórdia e mensagens perigosas” alerta David Graff. Para o responsável da empresa há um compromisso a cumprir: “Temos de garantir que as nossas ferramentas sejam usadas para o bem”.

Fotografia: Tiago Serra Cunha/EF

A sobrevivência da Televisão

De seguida, Patrick Holland, da BBC, e Juliet Mann, da CGTN, entraram em palco. Os dois convidados discutiram como a televisão poderá sobreviver na era digital.

Patrick Holland começou por dizer que “a curadoria de conteúdos” é a missão da BBC. O canal de serviço público britânico tem de “perceber como o consumo está a mudar” e adaptar-se.

Juliet Mann acrescenta que a inovação tecnológica fez os profissionais repensarem como se faz televisão. “Com um smartphone, qualquer um pode ser jornalista “. É necessário avaliar o que é notícia e credível.

“O potencial da televisão de unir pessoas à volta de um evento ao vivo é único”, diz Patrick Holland. Ou seja, a televisão não está a competir com o streaming“apenas oferece algo diferente”. E Julliet complementa com a crença de que a televisão pode prever, tem é de saber “mudar o tom”.

O modelo de negócio dos criadores da Internet

O último painel antes da pausa de almoço reuniu personalidades relevantes das redes sociais. Caspar LeeBen Jeffries, co-fundadores da Influencer.com youtubers, expuseram a perspetiva daqueles que vivem da fama digital.

Ben Jeffries abriu a conversa com a ideia de que as leis de privacidade “retiraram a credibilidade às empresas de redes sociais”. Caspar Lee acrescenta que “essa desconfiança não afeta os criadores”. E a palavra não é influencer, porque é um termo muito geral: “Qualquer tipo de profissão tem influência. Não basta seres famoso, tens de criar algo”

youtuber britânico explica a necessidade de compreender as fontes de rendimento dos criadores digitais para definir deveres éticos. “Mais liberdade na escolha das empresas dá autonomia” às personalidades da Internet. Ben Jeffries refere, ainda, que a regulação da publicidade obriga os criadores a ser seletivos.

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