Margrethe Vestager subiu ao palco no último dia da Web Summit com o objetivo de avisar o mundo dos perigos da manipulação política nas redes sociais. A comissária europeia responde também às acusações de Donald Trump.

A dinarmaquesa de 51 anos tem sido uma peça fundamental para o combate da proteção de dados dos utilizadores das gigantes tecnológicas. A atual comissária europeia da Concorrência admite que empresas como a Google, Amazon ou Apple têm mudado de postura no que diz respeito à gestão das informações dos utilizadores. Na sua opinião, a solução para os problemas relacionados com a proteção dos dados dos utilizadores não podem partir dessas gigantes tecnológicas.

“Podemos ter nova tecnologia, mas não temos novos valores […] Não percebo porque é que não é assim no mundo digital”, afirma. “Estamos a chegar a uma fase em que a concorrência e as autoridades já só conseguem fazer parte do seu trabalho”, acrescenta a comissária. Vestager defende que a solução passa por definir linhas de guia para as entidades governamentais seguirem.

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Apesar do tom maioritariamente crítico da utilização da tecnologia, a comissária europeia consegue ver o lado bom da mesma. “Não vejo os limites da utilidade que a IA [inteligência artificial] pode ter em apoiar causas como as alterações climáticas”, refere. No entanto, volta a insistir que o mais importante são os valores humanos e realça que o principal desafio consiste em “criar uma comunidade tecnológica muito mais diversa e que reflita o mundo em que queremos viver”.

Em junho deste ano, Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos da América, afirmou que Magrethe Vestager “detesta os Estados Unidos” e é “uma das piores pessoas que ele conheceu”. Apesar das acusações, a comissária europeia considera que as autoridades norte-americanas estão mais interessadas em querer impor normas mais exigentes às gigantes tecnológicas.

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