Numa edição marcada pela discussão em torno das causas sociais e ambientais, a crise climática volta a ter papel de destaque no palco principal da Web Summit, mas não só. Numa das conferências que abriram o Centre Stage da parte da tarde, houve espaço para alerta político e para consciencialização na emergência em salvar o ambiente.

Em palco, três mulheres. Christiana Figueres, uma das fundadoras da Global Optimism, empresa que transforma a negatividade em positivismo de forma a promover a mudança ambiental e social, sentou-se junto a Kate Brandt, diretora de sustentabilidade da Google. A conversa sobre sustentabilidade foi moderada por Lei Cheng, jornalista da China Global Television Network.

Antes da discussão principal, Kate Brandt lançou um lembrete que lançou o tom da conversa. A saída dos Estados Unidos do acordo de Paris, anunciada em 2017 e formalizada esta semana, foi alvo de comentário por parte da diretora, que afirmou que “sabíamos que isto ia acontecer“, alertando, igualmente, para que todos “tenham muito cuidado em quem estão a votar“.

Esta saída acabou por lançar a discussão. Christiana Figueres refere-se à ação dos EUA como uma “autoestrada em que todos estão a conduzir para o mesmo destino e um dos veículos decide virar para o lado que não é suposto“. Mesmo assim, para lá do desfasamento desta nação do acordo para as alterações climáticas, Figueres considera que não vamos salvar o planeta“. Isto porque “o problema é se nós vamos sobreviver” às mudanças que se estão a verificar.

Até porque o problema real passa pelo facto de estarmos a ficar “sem tempo” e, por isso, “temos de olhar para as mudanças sustentáveis de cima para baixo e de baixo para cima“, permitindo atacar o problema atempadamente e de todos os ângulos possíveis, desde o empresarial ao pessoal. Para Christiana, uma das soluções é, por exemplo, a eliminação dos combustíveis fósseis.

A iniciativa verde da gigante de Sillicon Valley

O compromisso da Google para com o ambiente vai para além das palavras. Kate Brandt, presente na sessão de hoje, relembrou o anúncio realizado esta terça-feira (5): a empresa vai lançar um programa de aceleração climática, que pretende impulsionar startups focadas na área da sustentabilidade na Europa, África e Médio Oriente.

O programa, que deve arrancar em 2020 com um grupo de cerca de dez startups, tem como principal objetivo disponibilizar acessos a financiamento, formação e apoio técnico às empresas para desenvolver estratégias para colmatar os efeitos da crise climática, como o combate ao desperdício alimentar, à pobreza e ao aquecimento global.

Web Summit

Kate Brandt, diretora de sustentabilidade da Google. | Fotografia: Vaughn Ridley/Web Summit

O foco inicial é ajudar no financiamento destas iniciativas, colocando estas empresas iniciantes a “usar mais tecnologia” para implementar estratégias que diminuam estes efeitos, através, por exemplo, da utilização de inteligência artificial.

Para a diretora de sustentabilidade da Google, a tecnologia tem um papel de extrema relevância no combate à crise climática. A sua empresa é um dos principais exemplos;Google é neutra em carbono há mais de uma década e, desde 2017, alcançou 100% do seu consumo de energia com fontes renováveis.

Até 2020, a gigante de Sillicon Valley pretende que todos os aparelhos da sua marca, desde telemóveis a acessórios, sejam totalmente fabricados com materiais reciclados e recicláveis. Além disso, numa altura em que se espera que os centros de dados usem mais de um quinto da energia global até 2025, a Google reforça que os seus centros usam mais de metade da energia quando comparados aos restantes.

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