O segundo dia oficial da Web Summit 2019 começou com duas conferências no Centre Stage. Os deveres das empresas e dos políticos na evolução tecnológica estiveram em destaque.

Brad Smith, presidente da Microsoft, foi o primeiro a pisar o palco da Altice Arena. A palestra focou-se na perspetiva empresarial sobre os desafios e obrigações do novo mundo  digital.

Para o líder da empresa norte-americana, vivemos numa “era extraordinária de mudança”, mas, ao mesmo tempo, numa “era de ansiedade”. O mundo está de olhos postos em quem trabalha no meio tecnológico, para que tomem as decisões certas.

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Brad Smith destaca que os responsáveis da indústria têm de “avançar a tecnologia enquanto preservam valores intemporais”. Um deles é a privacidade, “um direito humano fundamental”. É  preciso ter em conta o poder que se tem em mãos, pois “qualquer ferramenta pode tornar-se numa arma”.

Foi em 1956 que o termo Inteligência Artifical surgiu pela primeira vez. Décadas depois, as máquinas estão a ganhar autonomia. “Temos de ser responsáveis”, avisa Brad Smith.

O presidente da Microsoft não duvida que “a tecnologia tem de resolver os grandes problemas do mundo”. “Cada um de nós tem de ter um papel. Temos de trabalhar juntos. É esse o desafio para a década que aí vem”, concluiu.

Web Summit

Fotografia: Web Summit

“Temos de ter a regulação adequada para a tecnologia” 

Depois de Brad Smith receber uma ovação, seguiu-se uma pequena conversa com Tony Blair, ex primeiro-ministro britânico, e Ro Khanna, membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Desta vez, discutiu-se o papel dos políticos no mundo tecnológico.

“O governo deve ser ativo”, começa Blair. O antigo chefe de governo acredita que os políticos devem ter um papel imprescindível na legislação tecnológica, pois ela deve ser “transversal a todas as áreas políticas”.

O Brexit foi descrito por Blair como uma “tragédia”, até porque é “uma distração dos grandes problemas”. Um deles é a criação de emprego através do uso da tecnologia, algo de que Blair diz que “ninguém fala”.

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Ro Khanna acrescentou que temos de ter a “regulação adequada” para a tecnologia. O político norte-americano sente que “o conhecimento legislativo não acompanhou a evolução tecnológica”.

O democrata acrescenta ainda que pressente que este tema não será debatido o suficiente nas eleições presidenciais americanas de 2020.

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Fotografia: Web Summit

Tony Blair sente que a Europa e a América têm de “cooperar na ação tecnológica e tomar uma posição conjunta em relação à China”.  A União Europeia podia fazer muito mais na área da tecnologia, na opinião do britânico.

O interesse dos políticos nesta área é fundamental para combater as ameaças à Democracia. Populismo explora o pessimismo”, analisa. E, como conclusão, Tony Blair deixa uma mensagem esperançosa: “Eu sou otimista em relação ao futuro. A tecnologia será muito importante para derrotar o populismo”.