No segundo dia oficial da Web Summit 2019, voltaram a estar em destaque as temáticas da responsabilidade social e ambiental. Entre os principais momentos, o regresso “a casa” de uma das caras mais conhecidas dos amantes de tecnologia, o robô Sophia, e o futuro da tecnologia nas empresas na voz de Brad Smith, presidente da Microsoft.

Em igual destaque esteve também a discussão sobre o papel do género na tecnologia moderna e a importância das mulheres no setor, sem esquecer a aposta na sustentabilidade, com as estratégias da Google para um planeta mais verde, para além das discussões sobre gifs.  O Espalha-Factos resume o que se passou na arena do Parque das Nações.

O digital como valor numa Europa em expansão

No palco Future Societies discutiu-se a necessidade de existirem valores digitais numa Europa em constante crescimento. Foi esse o ponto de partida para este debate, que contou com a participação de Dorothee Bär, ministra de Estado do Governo Federal da Alemanha e George Papandreou, antigo primeiro ministro grego.

A tecnologia, principalmente as redes sociais, permitem que haja um falso empoderamento do indivíduo. Na prática, os informações que partilhamos nessas plataformas pertencem às gigantes tecnológicas“. Nesse raciocínio, Papandreou defende uma maior regularização no sentido em que o utilizador devia ser “dono do Facebook“.

A representante do governo alemão referiu na Web Summit que concorda em parte com as declarações do ex-primeiro ministro grego e salienta a necessidade de existir um elo de ligação comum entre os diversos países europeus. “Ao contrário dos Estados Unidos e da China, cujas redes sociais são reguladas por corporações gigantescas e pelo próprio Estado, a Europa tem que estabelecer um acordo que beneficie todos os países.

“Talvez criar um IA [inteligência artificial] como elemento mediador para combater o fenómeno das fakes news e garantir os direitos básicos no que diz respeito aos valores humanos […] Será uma coisa dispendiosa para os governos mas tem que ser feita“, sublinha.

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O Jornalismo na era do Pós-Verdade

O palco Future Societies recebeu uma conversa sobre jornalismo político na era do pós-verdadeJamie BallTim AlbertaDafna Linzer refletiram sobre os desafios e as ameaças à profissão.

Para Jamie Bell, os media estão a “tentar mudar o público” em vez de serem eles a adaptar-se, uma casmurrice que não compreende. Outro problema é existirem muitos jornalistas que “optam por quantidade em vez de qualidade” informativa.

Dafna Linzer referiu que um dos maiores desafios é “descobrir a origem das fake news”. No caso americano, a jornalista considera que há uma grande desconfiança dos media por parte do povo. Tim Alberta destaca a importância de existir “diversidade nas redações”. Diferentes formas de pensar permitem um enriquecimento da informação e da análise política.

Antes do fim, Jamie Bell deixou uma reflexão sobre a imparcialidade no jornalismo, considerando-a “uma má ideia”“Todos somos parciais. Temos é de ser claros e justos ao informar o público.”, termina.

A Internet aberta como porta para o futuro

A web aberta é uma questão essencial na discussão do futuro da Internet. Katharina Borchert, chefe de Inovação na Mozilla, explica ao público presente que o conceito de open web existe há 30 anos. A mesma não desperdiçou a oportunidade para exemplificar que o Facebook representa o oposto dessa designação.

Rafael Laguna, CEO da Open-Xchange sublinha que a Open Web é vital para manter e melhorar o bem-estar da Internet. Seguindo o raciocínio, Borchert considera que os princípios da liberdade das pessoas têm que ser protegidos. “Há uma necessidade de haver uma maior regulamentação para defesa dos utilizadores“.

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Existem poucas alternativas no que diz respeito à escolha de redes sociais. Ou temos que aceitar as suas condições, ou não temos ‘pegada’ na Internet. Não existe um meio termo“. Num futuro próximo, Rafael Laguna acredita que estas questões serão os novos desafio para os governos. “Acredito que, num espaço de cinco ou dez anos, as instituições governamentais vão ter que implementar mudanças nos campos jurídicos“, realça.