A edição de 2019 da Web Summit continua a todo o vapor. O segundo dia da quarta edição daquela que é descrita como a maior cimeira de tecnologia no mundo trouxe esta terça-feira (5 de novembro) ao Altice Arena mais de sete horas de conferências, networking e a contínua discussão sobre temáticas preponderantes inseridas no contexto das inovações na sociedade.

Em destaque, a discussão em torno do Brexit em duas sessões, as mudanças da Microsoft em prol da transformação da web para os negócios, a “crise da verdade” e as soluções propostas pela Wikipedia e o futuro da tecnologia associada às causas sociais e ambientais.

Em igual realce, muitas outras conferências que passaram pelos vários palcos da Web Summit, focadas no papel dos influenciadores na nova sociedade digital e na inovação em setores como o dos transportes ou das habitações tecnológicas. O Espalha-Factos resume tudo o que se passou na arena do Parque das Nações.

“Não existe um futuro alternativo”

A ação no Centre Stage começou com uma palestra de Ronan Dunne, CEO da Verizon, sobre a revolução do 5G“Não é apenas um cavalo mais rápido”, mas sim uma mudança de paradigma, como o automóvel.

Ronan Dunne citou as três Revoluções Industriais e acredita que a tecnologia do 5G poderá criar uma quarta. Segundo o responsável da Verizon, é tudo na base de conexões: “Pessoas com pessoas, pessoas com máquinas e, cada vez, mais máquinas com máquinas”.

Web Summit

Ronan Dunne, CEO da Verizon. | Fotografia: Tiago Serra Cunha/EF

Uma das maiores características do 5G é a eficiência energética. Em comparação com o 4G, o seu sucessor consome apenas 10% da mesma energia. De acordo com Dunne, isto será essencial para um mundo mais sustentável.

A relação entre a tecnologia e o ambiente é  profunda e cada vez mais relevante. Assim, a Quarta Revolução Industrial poderá mitigar e até reverter o dano feito ao planeta. O CEO da Verizon acredita que o novo modelo energético já tem dado resultados na empresa.

“Não existe um futuro alternativo, este é o nosso único futuro. Acredito que temos a fórmula para o sucesso”. É com esta mensagem otimista que Ronan Dunne termina uma intervenção esclarecedora sobre como o 5G poderá ajudar a salvar o Ambiente.

As casas do futuro

Uma casa só pode ser chamada de lar quando se juntam vários fatores que o permitem, nomeadamente o conforto e a sensação de familiaridade. É nesse sentido que a Samsung está a trabalhar: que as nossas casas sejam mais próximas das pessoas e das suas necessidades, tornando-se conectadas e totalmente digitais.

David Eun, CIO da Samsung Electronics. | Fotografia: Tiago Serra Cunha/EF

O que é que faz de uma casa um lar“? David EunCIO (Chief Innovation Officer) da Samsung Electronics e presidente da Samsung NEXT colocou a questão. A resposta, para o tecnológico, é simples: são as experiências. E, para a gigante sul-coreana, em 2025 as casas serão lares repletos de experiências, desde as televisões aos aspiradores ou até aos frigoríficos.

As pessoas vão querer que os dispositivos sejam mais do que coisas fantásticas interligadas e que as experiências associadas ao exterior venham para dentro de casa e do lar”. É por isso que pretendem que tudo esteja interligado e de forma inteligente. Por exemplo, as cozinhas irão tornar-se nutricionistas e chefs pessoais, com os seus eletrodomésticos a compreender os gostos e preferências dos utilizadores; as casas de banho, que poderão transformar-se em “centros de bem-estar e saúde”; ou mesmo os aspiradores, que poderão ser um “paramédico pessoal“.

Para o especialista da Samsung, tudo é possível. “Há aqui uma grande oportunidade para as empresas, startups e empreendedores criarem estas experiências do lar do futuro. Vamos transformar uma casa num lar verdadeiramente inteligente, cheio de experiências espantosas“, terminou.

O papel da tecnologia na ação pelo clima

A sustentabilidade da Google foi discutida na Web Summit. A empresa norte-americana está a trabalhar num programa de aceleração para startups focadas nessa área na região da Europa, África e Médio Oriente e Portugal estará incluído nessa lista. A novidade foi apresentada por Kate Brandt, diretora de sustentabilidade da Google.

De acordo com Brandt, o intuito do programa consiste em disponibilizar acesso a formação, financiamento e apoio técnico a empresas a desenvolver estratégias para combater o desperdício alimentar, o aquecimento global e a pobreza. Na Web Summit, Kate Brandt fez questão de relembrar que a gigante tecnológica tem preocupações ambientais desde 2007.

Até 2020, a Google ambiciona que todos os equipamentos incluam materiais recicláveis. A empresa mantém ainda os esforços para ser neutra em emissões de carbono.

Carlos Moedas e Siza Vieira: startups fora da capital portuguesa

Carlos Moedas, o comissário europeu responsável pela Investigação, Ciência e Inovação, assinou, durante a conferência de imprensa, um acordo para o lançamento do Faber Tech II, um instrumento financeiro. O mesmo terá um montante global de 30 milhões de euros, dos quais 15 milhões deverão ser angariados pela venture capital portuguesa junto de investidores privados e o restante será financiado pelo IFD e pelo FEI (Fundo Europeu de Investimento).

Já o ministro da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, salientou o progresso feito por Portugal, nos anos mais recentes, em matéria de acesso a financiamento por parte de start-ups e empresas nas primeiras fases de desenvolvimento. Siza Vieira realçou também que Portugal, para além de Lisboa, tem também mais duas regiões com bons índices de inovação: o Norte e Centro.

O futuro da Uber. Carros a voar?

A tarde do Centre Stage deu início com Manik Gupta, diretor de produto da Uber. O empresário entrou em palco de trotinete elétrica JUMP para anunciar a disponibilização do transporte. Cada viagem custará  20 cêntimos por minuto. A primeira viagem, até 20 minutos, é grátis.

“Estamos entusiasmados em lançar as trotinetes elétricas Jump em Lisboa”, admite Gupta. A Uber quer contribuir para que mais pessoas consigam viajar em alternativa ao carro próprio.”

Fotografia: Tiago Serra Cunha/EF

Gupta quer que a Uber “seja a solução para a vida do dia a dia”. O objetivo não é “encher a app de soluções”, mas sim “ir ao encontro das necessidades básicas dos utilizadores”.

Por fim, a reiteração de um anúncio: carros voadores em 2023. Para o ano um modelo vai ser testado e, daqui a três, o produto chegará ao mercado. A conferência comprovou que a Uber continua investida na revolução dos transportes.