Novembro trouxe-nos uma nova temporada de Atypical. A terceira temporada da série que acompanha a vida e peripécias de Sam Gardner e da sua família chegou à Netflix dia 1 de novembro, e o Espalha-Factos diz-te porque achou esta temporada uma fantástica continuação da importante e engraçada série.

Keir Gilchrist em Atypical

Imagem: Divulgação / Netflix

Nas primeiras duas temporadas, Atypical apresentou-nos as personagens, deu-lhes voz e, mais tarde, independência. Até aqui, a série ocupou-se em nos mostrar Sam Gardner, para lá, mas também, do que é estar no espectro autista, assim como o peso que isso tem na família, o amor que a une, e os problemas que nela emergem, como em qualquer outra. Não é só em Sam que a série se foca, e se nas duas temporadas anteriores ficamos também a conhecer Casey, Doug e Elsa, é na terceira temporada que os vemos na sua versão mais completa e complexa.

Nova temporada, novos (e velhos) problemas

Cada uma das personagens que já conhecemos passa por uma fase importante, uma etapa que precisa de ultrapassar para poder crescer, amadurecer, ou seguir em frente.

Sam chega à faculdade aterrorizado com a estatística que lhe diz que 4 em 5 alunos no espectro autista não termina a faculdade nos habituais quatro anos (nos Estados Unidos). A sua irmã Casey precisa de lidar com os sentimentos que descobre ter por Izzie, a sua melhor amiga, e têm de decidir o que fazer acerca da sua relação com Evan.

Os pais, Elsa e Doug, precisam de sair do impasse em que terminaram na última temporada – Elsa quer uma decisão, mas Doug ainda está a processar o que sente, enquanto se aproxima de Megan, uma amiga do grupo de pais com filhos no espectro. Paige parte também para a universidade, onde sofre com a distância de casa e de Sam, e Zahid enfrenta a escola de enfermagem, lutando contra o seu instinto desistente, ao mesmo tempo que um novo amor entra na sua vida.

Atypical

Imagem: Divulgação / Netflix

Conhecer melhor os personagens

A terceira temporada é bem-sucedida em tornar as personagens mais reais, tanto os Gardners como as personagens secundárias. Descobrimos mais sobre a infância de Elsa, percebemos melhor os desafios e problemas de Paige e Zahid. Vemos também uma Casey cheia de dúvidas e medo, e mesmo Evan e Izzie têm direito a episódios que abordam as situações familiares que os levam aos problemas que enfrentam durante esta temporada.

Todos encontram um lar na casa dos Gardner onde, em um dos episódios, um jantar formal organizado à distância por Paige acaba com uma adorável cena no quarto de Elsa, ou quando Izzie encontra um lar pacífico e acolhedor.

Talvez o mais interessante seja ver como Sam é aquele que, ao longo da temporada, enfrenta contratempos mas acaba por ser o mais bem-sucedido em lidar com toda a mudança e com a nova fase da sua vida.

Em simultâneo, todas as outras personagens lidam com esse tema, seja porque a receiam, porque sofrem com ela, ou porque a anseiam. A procura do sucesso pode ser o tema da temporada, mas a resposta parece ser aceitação: aceitar as mudanças inevitáveis, a imperfeição e a dificuldades das situações, e não ter medo de enfrentá-las mesmo assim.

Atypical

Imagem: Divulgação / Netflix

Amores e amizades

Apesar de marcar passo durante alguns dos seus episódios de meia-hora quanto a alguns fios narrativos – Elsa e Doug, por exemplo, ou Casey – , a nova temporada compensa apanhando-os de forma muito inteligente nos últimos episódios, com um episódio final que não só resolve algumas das grandes questões desta temporada, como reúne numa só aventura todas as personagens que, separadamente, rodeiam Sam, o aceitam e apoiam – e não para o ajudar a ele, mas Zahid (por iniciativa de Sam), numa roadtrip que ata pontas soltas e sara várias feridas.

Sam em Atypical

Imagem: Divulgação / Netflix

Atypical continua a ser uma série com um enorme coração, que navega muito bem entre a comédia e o drama, e que continua a fazer um enorme serviço público quando mostra o que é para um jovem adulto – e para a sua família – estar no espectro autista, mas também quando vai para lá disso, e nos apresenta um Sam que é uma pessoa completa, com uma vida que vai para lá da sua condição médica.

Ao mesmo tempo, a série mantém-se atual e aborda assuntos importantes e pertinentes, assim como lida com temas eternos como a adolescência, família, e relacionamentos. Mais que tudo, é uma série que soa a honesta, admitindo a imperfeição das personagens e a inexistência de saídas fáceis de problemas complicados.

A nova temporada de Atypical está disponível na Netflix Portugal desde 1 de novembro, onde podes ver todos os episódios das três temporadas.

Crítica: ‘Atypical’ é a importante e honesta série que precisas de ver
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