Depois da presença em festivais de verão de norte a sul do país, os portuenses Ornatos Violeta regressam a casa para encher o renovado Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota. O primeiro de dois concertos na sala de espetáculos que o Porto ansiava.

O dia é das bruxas e o nevoeiro que durante toda a tarde pairou sobre a cidade Invicta parecia ideal para a rodagem de um qualquer filme de terror. Mas nenhuma criatura fantasmagórica foi capaz de se fazer invocar, pois um simpático monstro havia já reservado toda a área dos jardins do Palácio de Cristal para a continuação de uma busca já antiga por amigos.

Lê também: 100 anos de Jorge de Sena, o poeta do exílio

Com o cair da noite a chuva é cada vez mais presente, mas nem isso abalou as cerca de oito mil pessoas que com curiosidade percorrem um edifício rejuvenescido e decifram um simples letreiro que de simples não tem nada. Já passa das 22h, barulho que se vai cantar o rock.

Ornatos Violeta

Fotografia: Sofia Matos Silva

Apagam-se as luzes, fecham-se as portas e numa questão de segundos Manel Cruz, Peixe, Nuno Prata, Elísio Donas e Kinörm são inundados por aplausos de uma plateia bastante diversa. Dos mais jovens aos mais experientes, todos se juntam à volta do palco 360º para cantarem Como Afundar, Tanque, Há-de Encarar e Pára de Olhar para Mim, os primeiros temas de um espetáculo com tudo para dar certo.

A primeira surpresa da noite chega com Para Nunca Mais Mentir. Aos primeiros acordes o público é convidado a olhar para cima onde, na cúpula da arena, são projetados vídeos que mostram, em direto, cada um dos membros da banda. “Ouvi dizer que o nosso amor acabou” mas já ninguém teve a noção do seu fim, pois o alvoroço por parte do público tornou impossível qualquer perceção do segundo verso da inconfundível Ouvi Dizer.

Manel Cruz já está sem t-shirt e prova mais uma vez ser um verdadeiro poço de energia. Apesar da pouca interação com os fãs, o vocalista usa a linguagem corporal para comunicar de forma efusiva com a plateia. E isso chega para dar e vender.

Ornatos Violeta

Fotografia: Sofia Matos Silva

O espetáculo segue com Nuvem, Notícias do Fundo e O.M.E.M mas o público está no ponto e, sem mais nem menos, uma Chaga leva todo ao Pavilhão ao delírio. Um tema cantado do princípio ao fim por todos naquele que foi um dos momentos da noite.

Depois de Coisas e Deixa Morrer segue-se o momento mais intimista em cerca de duas horas de concerto. “Devagar” a banda conseguiu acalmar a pulsação de milhares de pessoas durante mais de três minutos para depois voltar aos maiores sucessos com Capitão Romance, onde o famoso falsete é arriscado pela audiência.

Antes do primeiro encore da noite, Pára-me Agora e Dia Mau fizeram questão de manter a energia em toda a sala. Depois de uma merecida ovação, Manel Cruz chama um homem ao palco… estamos perante um pedido de casamento. Depois de Cruz trocar o nome da futura noiva lá é corrigido e ficamos a saber que Pedro irá casar com Paula Alexandra e não com a Sandra.

Ornatos Violeta

Fotografia: Sofia Matos Silva

Romances à parte, o ambiente volta a ser do rock com Tempo de Nascer e Dama do Sinal. Finalmente, o concerto parece acabar com a Canção do Fim mas, se por um lado dezenas de pessoas acabam por abandonar a arena, os verdadeiros fãs sabem que Ornatos Violeta vão voltar.

Os músicos voltam uma última vez para obrigar o público a dar tudo de si com o frenético Punk Moda Funk, antecedido por Dias de Fé e seguido por Raquel, a última canção no alinhamento.

Ao longo de toda a viagem pelos 20 anos do álbum O Monstro Precisa de Amigos, a cumplicidade entre os músicos é notória. Dos abraços constantes aos olhares cúmplices, a banda apresenta-se unida perante uma plateia que consigo partilhou a mesma intensidade. Vinte e dois temas depois fica a certeza de que os Ornatos Violeta são uma das bandas mais transversais do panorama musical português, arrastando multidões como em 1999.

Ornatos Violeta

Fotografia: Sofia Matos Silva

Depois de dois anos em obras, o renovado Pavilhão Rosa Mota abriu portas para dois concertos de Ornatos Violeta. A banda atuará ainda no Campo Pequeno, em Lisboa, a 6 de dezembro.