The Morning Show
Fotografia: Divulgação / Apple TV+

Crítica. ‘The Morning Show’: o caos das manhãs televisivas

Vinte e cinco anos após aparecer no pequeno ecrã, com Friends, Jennifer Aniston regressa ao mundo das séries com The Morning Show. A produção é a principal grande aposta da Apple TV+, recém chegada ao universo do streaming.

Sofisticado, irrevente e original, The Morning Show mostra os conflitos internos de uma estação de televisão quando o apresentador do programa das manhãs – Mitch Kessler (Steve Carrell) é despedido após ser acusado de abusos sexuais. Supostamente ignorante em relação aos casos do colega está Alex Levy, personagem vivida por Jennifer Aniston, a co-apresentadora do programa. O escândalo explode durante a madrugada, apenas algumas horas antes de um novo episódio ir para o ar. Sob pressão, Alex decide falar abertamente aos espectadores sobre o despedimento do colega, enquanto se apercebe que o escândalo pode levar o formato a recuperar a audiência perdida e colocar o programa numa nova fase da sua história.

Jennifer Aniston é Alex Levy, a apresentadora de ‘The Morning Show’.

No outro lado do espectro encontra-se a personagem de Reese Witherspoon, Bradley Jackson, uma repórter de um pequeno canal de televisão conservador em West Virginia. Durante uma manifestação, Bradley deixa o seu temperamento vir ao de cima e durante um momento de explosão, alguém decide gravá-la e colocá-la na internet. Umas horas depois, o nome Bradley Jackson é um dos assuntos mais comentados no Twitter.

Desesperados por histórias e, acima de tudo, polémicas, o The Morning Show decide convidar Bradley para uma entrevista durante um dos segmentos do programa. A rivalidade entre Alex e Bradley torna-se visível e Cory Ellison (Billy Crudup), diretor de informação da estação, aproveita-se da situação.

Reese Witherspoon é Bradley Jackson, uma jornalista que capta a atenção dos internautas.

Os primeiros três episódios da produção já estão disponíveis na Apple TV+, a nova plataforma de streaming que ficou disponível neste 1º de novembro. A plataforma traz alguns produtos originais, sendo que The Morning Show é aquele tem despertado mais atenção desde o início, em especial por ser protagonizado por três atores bem conhecidos pelo público em geral: Reese Witherspoon (Big Little Lies), Steve Carrell (The Office) e Jennifer Aniston (Friends).

A coqueluche que deixa a desejar

A estreia da produção da Apple TV+ deixa, no entanto, a desejar. Apesar de promissora e dos primeiros três episódios estarem bem desenvolvidos, é difícil torcer pelas personagens e o cenário construído é conflituoso e na iminência exagerada da ficção.

As personagens voam até ao limite do tolerável e, em alguns momentos, tornam-se profundamente insuportáveis. Enquanto Alex vive com rei na barriga, Bradley pinta-se a si própria como a moralista que não pode aceitar um trabalho na televisão nova-iorquina, pois quer fazer “jornalismo a sério“. A dualidade de perspetivas é cativante, assim como o ambiente televisivo que a série transmite. O mundo atrás das câmaras, o teleponto, a produção; todos estes pontos colocam The Morning Show num local de notoriedade, pois poucas são as séries que abordam o universo televisivo. Porém, onde a série peca é precisamente nessa questão, também. Não é credível. Por muito poder que um apresentador de televisão tenha – e Alex Levy não se compara a Ellen DeGeneres – não tem a possibilidade de efetuar o que a personagem principal, ao longo de três episódios, efetuou.

No entanto, e independentemente das falhas realísticas que integram a série, a história trespassa bem o caos que existe por detrás das câmaras de televisão e como os egos, quando chocam, resultam em plenas guerras silenciosas em que os olhares frios são as principais armas de combate.

O movimento #MeToo

Steve Carrell representa o papel de um predador sexual.

Ao retratar um escândalo de abusos sexuais no meio televisivo, ignorar o movimento #MeToo seria um tiro fatal para a primeira produção da Apple TV+. A personagem de Steve Carrell é despedida da estação após várias acusações feitas contra a sua integridade, nunca tendo a oportunidade de se defender publicamente ou sequer perante a estação. É um cenário semelhante ao que aconteceu com Kevin Spacey, o protagonista de House of Cards que foi despedido antes da última temporada da série. Porém, ao contrário do que aconteceu com Spacey – e também por isto se tratar de uma série – é possível ver que há sempre dois lados da mesma moeda, sendo que os casos de abuso sexual são o maior mistério de The Morning Show. O que realmente terá acontecido? é a pergunta que fica na cabeça.

No cômputo geral, The Morning Show tem potencial para se tornar uma das séries do ano, mas as arestas ainda ficam por limar. O texto é fraco e exagerado, mas a atmosfera da produção encanta logo no primeiro episódio. Entre mistérios, dramas e conflitos, a primeira grande série da Apple TV+ pode vir a mostrar-se uma grande concorrência para as adversárias nas premiações deste ano.

A temporada contará com mais sete capítulos que serão divulgados ao longo das próximas semanas.

PS: A série está recheada de product placement. Todas as personagens têm um iPhone ou um MacBook. Fica a curiosidade de como será retratada a comunicação e o digital, se a premissa de uma futura série não for tão elitista.

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