Doctor Sleep, ou na tradução portuguesa Doutor Sono, realizado por Mike Flanagan, chega esta quinta (31) às salas de cinema portuguesas. Muitos vão ver este filme porque calha bem e estamos em pleno Halloween, outros irão pela curiosidade de ficar a conhecer a sequela do filme The Shining (1980), de Stanley Kubrick.

A história deste filme é baseada no livro do mesmo nome da autoria de Stephen King. Passaram-se quarenta anos e acompanhamos Danny Torrance (Ewan McGregor), o rapaz com capacidades telepáticas que se tornou, tal como o pai, num homem com problemas de alcoolismo. Percebemos que vive ainda atormentado pelo que viu no Overlook Hotel quando era criança.

Danny não é o único com um brilho diferente, isto é, com poderes raros. Abra (Kyliegh Curran), uma adolescente de 13 anos, partilha das mesmas capacidades sobrenaturais e não tarda a entrar em comunicação com Danny. Os dois envolvem-se numa missão em conjunto contra um grupo (The True Knot) de demónios, Rose the Hat (Rebecca Ferguson) e os seus seguidores, que procuram a imortalidade.

Fotografia: NOS Audiovisuais

É relevante fazer a ressalva que apesar de ser uma sequela, é bem possível entender-se a história sem conhecer o passado da personagem. Isto porque existe toda uma preocupação para nos ambientar na vida deste homem. Além disso, o filme tem várias referências ao clássico de Kubrick, apelando à nostalgia dos fãs.

Como se percebe pela sinopse, esta longa-metragem adensa mais a componente sobrenatural, não se focando tanto na parte da loucura. Aqui há pelo menos três protagonistas e os ambientes mudam constantemente. Isso faz com que o foco narrativo seja bastante confuso e a excessiva duração do filme não ajuda.

Existem várias partes da história que poderiam ter sido reduzidas e isso não iria alterar o resultado final que, de certo modo, expõe demasiado um pendor moralista. Não havia essa necessidade.

Por outro lado, o filme não esquece os detalhes. Além de fazer várias referências ao primeiro filme, que estão lá puramente para fazer uma homenagem ao clássico e agradar os fãs, o filme cria também as suas próprias conexões.

Doutor Sono é repetitivo em algumas ideias-chave. Perde-se um pouco, por exemplo, ao tentar detalhar a vivência do grupo de demónios. Vemo-los a atuar de duas formas diferentes, sendo que bastava ver apenas uma delas. É nesses pormenores de construção que o filme peca, fazendo, no entanto, aumentar a nossa curiosidade. Queremos ver algo a acontecer, as consequências.

Apesar de não haver propriamente jump scares, a banda sonora conseguiu ser, por vezes, incomodativa.

Pelo lado positivo, o filme consegue deixar-nos com a sensação de estarmos em transe. Os vários elementos do filme estão bem trabalhados, para que seja perceptível a comunicação entre as mentes e os espaços. Existe uma noção da presença do sobrenatural neste universo.

Fotografia: NOS Audiovisuais

Todo o elenco está bastante consistente, mas destaco Rebecca Ferguson, a atriz que interpreta a vilã principal. Ela realmente eleva o filme a outro patamar com a sua apresentação – as melhores sequências centram-se na sua personagem. Ela representa, desde o começo, o perigo que dá vida ao filme.

Doutor Sono não é assustador, mas consegue criar suspense. É uma sequela com um fim em aberto, mas que encerra um ciclo. Apesar de ser algo confuso e esquecível, os fãs de terror vão adorar voltar atrás e conhecer mais do imaginário de Stephen King.

Doutor Sono - uma sequela com brilho?
7Valor Total
Realização7.5
Argumento6.5
Representação7.5
Fotografia7
Banda sonora6.4
Efeitos Especiais7.3