O músico João Hasselberg está de volta a Portugal após dois anos em Copenhaga. Traz com ele um novo álbum, The Great Square of Pegasus, que é editado este domingo (27) e junta duas das suas grandes paixões – a astronomia e a música.

Neste novo projeto, João Hasselberg conta com Afonso Cabral (integrante dos You Can’t Win Charlie Brown e que lançou o seu primeiro disco a solo Morada em julho deste ano) na voz e com o seu cúmplice de longa data Pedro Branco na guitarra. Hasselberg editou com este último dois discos: Dancing Our Way to Death, em 2016 e From Order to Chaos em 2017.

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João Hasselberg & The Great Square of Pegasus | Foto: Vera Marmelo

Uma ode à galáxia e ao céu estrelado, este disco rouba o seu nome à constelação de Pegasus. A ideia nasceu de uma paixão da infância – João Hasselberg era fascinado pelo céu estrelado e explorava esse fascínio através dos livros e de saídas de campo até que o conhecimento técnico fez com que o músico se desencatasse com a poesia das estrelas.

Surge, então, este disco cósmico com seis faixas, cujos títulos referenciam os astros de uma ou outra maneira, como o quadrante NQ4 na música com o mesmo nome, ou a estrela Gamma Pegasi (formalmente chamada Algenib) com a música “ɐlƃǝnıb”.

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Capa de The Great Square of Pegasus | Fonte: Divulgação

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Contracapa de The Great Square of Pegasus | Fonte: Divulgação

No comunicado enviado ao Espalha-Factos, João Hasselberg diz que “a música de The Great Square of Pegasus é uma ode ao florescimento dos sentidos e o que de mais universal partilhamos entre todos os seres do mundo, debaixo do céu estrelado que nos guarda“, algo que se reflete na componente etérea das suas composições.

Dos astros ao jazz e do jazz aos astros

Deixando de lado os caminhos das estrelas, João Hasselberg  dedicou-se à música, tendo investido no jazz. Estudou na Escola de Jazz Luiz Villas-Boas do Hot Club de Portugal, onde agora deu aulas de contrabaixo e aos 20 anos ingressou no Conservatório de Amesterdão. Nos últimos dois anos frequentou a Ryhtmic Music Conservatory, tendo completado o mestrado em Performance.

Lançou dois álbuns aclamados Whatever It Is You’re Seeking, Won’t Come In The Form You’re Expecting em 2013 e Truth Has To Be Given In Riddles no ano seguinte que, álbum que fez com que Gonçalo Frota, numa crítica no Jornal Público, considerasse Hasselberg regrado e pouco radical. Neste disco, o músico contraria o paradigma. João Hasselberg contou ao Espalha Factos que “o processo criativo desde disco foi o inverso daquilo que [tem feito] até agora. Antes trabalhava a composição antes da orquestração e agora, a orquestração é que levou à composição“. Conta ainda que a “exploração da técnica e possibilidades tímbricas de instrumentos eletrónicos foi o ponto de partida para a criação musical” e que, para isso, o improviso foi parte essencial no processo de criação de The Great Square of Pegasus.

Mais do que um processo criativo, foi um processo de aprendizagem“, declara ainda João Hasselberg que, para se inspirar, conta que ouviu música eletrónica e sacra, como a de Jon Hopkins e Arvo Part que também serviram  para “definir uma direção estética para o álbum“. O facto de estar a estudar em Copenhaga também influenciou muito o desenrolar dos seus projetos mais “experimentais” como o novo álbum e os Debord I, II e III pois o facto de “estar rodeado de pessoas que pensam e fazem música de forma diferente da que estava habituado” foi muito inspirador. Conta-nos que os processos artísticos (que são pessoais e intransmissíveis) são um reflexo dos processos de evolução pessoal e que o dinamismo da vida faz com que estejamos em constante mutação, o que se reflete no objeto artístico que se produz. Para ele, “os Debord” foram passos que permitiram fazer o The Great Square of Pegasus.

Para já, o disco ainda não tem data de apresentação marcada. Antes disso, João Hasselberg apresenta-o no Supernova Series em Koln, Alemanha, e pretende ainda marcar mais concertos no norte da Europa, mas o seu grande desejo é tocar The Great Square of Pegusus em Lisboa até ao final do ano.

O disco pode ser ouvido na íntegra no bandcamp.