quinta edição do Festival de Cinema Queer Porto anunciou os resultados da competição este sábado, dia 19 de outubro. O documentário Madame, de Stéphane Riethauser, foi o grande vencedor do evento.

Todavia, o dia não se resumiu à entrega de prémios. Até chegar lá, tivemos a exibição de Raia 4, o último filme em competição, e três sessões especiais. Destaque especial para O Beijo no Asfalto, uma adaptação cinematográfica de uma peça de teatro brasileira.

O dia no Teatro Municipal Rivoli terminaria com uma sessão do filme El Ángel. O Espalha-Factos traz-te o resumo deste dia decisivo do Queer Porto 5.

Queer Porto

El Ángel foi exibido na sessão de encerramento do Queer Porto 5

Mais estilo que substância

Raia 4 foi o último filme em competição a ser exibido. A ficção brasileira é a estreia do realizador Emiliano Cunha. A obra mostra a vida de Amanda, uma atleta de natação com 12 anos, numa altura a nível desportivo e de descoberta pessoal.

O grande mérito do filme é o trabalho cinematográfico de Emiliano Cunha e Edu Rabin. Os planos e os seus respetivos enquadramentos, a cor e os movimentos da câmara são hipnotizastes. As cenas de natação são de uma qualidade técnica exímia. Pelo meio, ainda há uma transição incrível sem corte (ou pelo menos com essa ilusão).

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Infelizmente, os pontos positivos ficam por aqui. O elenco é competente, mas tem pouco com que trabalhar. Brídia Moni, a atriz principal, é quem sofre mais, pois a protagonista é insípida nos diálogos e na forma de interagir com as restantes personagens.

A narrativa é repetitiva, sem um objetivo claro e não progride. O final surge do nada e sem qualquer justificação. É uma pena o argumento deitar abaixo um filme que, visualmente, foi o melhor do Queer Porto.

O Mau Rebelde

A derradeira exibição do dia foi o filme El Ángel, de Luis Ortega. Baseado numa história verídica, o projeto argentino faz-nos acompanhar Carlitos, um adolescente que vai seguir os seus piores impulsos e deixar um rasto de crime e sangue.

À semelhança de Raia 4, o estilo da obra é um grande ponto de destaque. Os planos e a edição, fundidas a uma lista de reprodução de temas que ficam no ouvido, parecem uma mistura entre elementos de Tarantino e Scorsese.

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No entanto, o filme  resulta melhor que o seu contemporâneo sul-americano, pois o argumento é inteligente e divertido. Os diálogos têm um bom ritmo cómico, assim como as situações absurdas que Carlitos e a sua trupe de criminosos se vão metendo. Apesar de se arrastar um pouco no meio, a história cativa no seu todo.

El Ángel foi uma opção acertada para a sessão de encerramento. As gargalhadas foram uma constante durante toda a exibição. Luis Ortega é um nome ao qual devemos estar atentos nos próximos anos.

A aclamação de Madame

O grande destaque do dia foi o anúncio dos resultados da competição. Três prémios foram atribuídos e um nome foi, claramente, o destaque da noite. Mas já lá vamos.

Primeiro, realçar a categoria de curtas-metragens desenvolvidas por estudantes portugueses. O vencedor foi a ficção Em Caso de Fogo, de Tomás Paula Marques. Pela vitória, o artista receberá 400 euros em equipamento de filmagem.

Na categoria de longas-metragens, público e júri foram unânimes. Madame ganhou ambos os prémios e afirmou-se como um dos grandes documentários de 2019. O realizador Stéphane Riethauser subiu ao palco duas vezes. A gratidão era patente e as palavras difíceis de expressar. O suíço acabou por dedicar o sucesso a Carolinea avó que serviu de musa a este documentário. “De certeza que volto cá com o meu próximo filme”, prometeu meio a sério, meio a brincar, Stéphane.

Com os vencedores encontrados, o Queer Porto encerrou mais um ano de competição e confirmou o próximo. Haverá uma sexta edição do festival, em 2020. Por agora, o Rivoli terá duas exibições este domingo, dia 20, para encerrar as celebrações dos 50 anos de Stonewall.