The Walking Dead 10x02: a não-novidade do culto a Alpha
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Somos o fim do mundo“. É assim que o segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead se apresenta, e faz-se acompanhar de algumas respostas pelas quais os fãs anseiam. Já a entrega das mesmas é questionável.

AVISO! Este artigo contém spoilers.

É a segunda semana da décima temporada de The Walking Dead nos nossos ecrãs televisivos. As palavras-chave no episódio de hoje são família e culto.

O episódio começa com um flashback que remonta ao momento em que Alpha (Samantha Morton) e Beta (Ryan Hurst) se conheceram. Alpha leva Lydia (Cassady McClincy) pela mão, após a criança comprometer a vida das duas no meio de um conjunto de mortos-vivos – já nesta altura, Alpha “caminha com os mortos“, disfarçada de tal.

Sete anos antes, a constante procura pela reafirmação e pelo amor da mãe é já uma presença nas ações de Lydia. Sabemos que a relação entre as duas é conturbada, sendo prova disso o facto de Lydia estar agora longe da mãe, com um grupo de pessoas a quem a presença de Alpha e os seus seguidores não agrada minimamente.

O que aprendemos neste episódio é que Beta, ao contrário do que nos leva a crer desde a temporada anterior, nem sempre foi um homem frio e de extrema crueza.

Tal como o Governador (David Morrissey, terceira temporada) guardava a sua filha, morta-viva, num armário, Beta fazia algo semelhante com o seu amigo, já referido anteriormente.

Ao ver Beta cortar a face do morto-vivo, agora completamente morto por Alpha, e copiando o método utilizado pela nova amiga, é agora óbvio a quem pertenceu a máscara (o rosto) que Beta utiliza sempre. E também a t-shirt com um smiley. Essa foi a forma que Beta arranjou de não deixar o seu melhor amigo para trás.

AMC

Sobre Beta, salienta-se a sua lealdade a Alpha. Como, aliás, acontece com a maioria dos Whisperers, que funcionam como uma espécie de culto à sua personalidade. Todos a defendem e a ela prometem a sua lealdade, alguns sendo compensados pela mesma – neste episódio, o exemplo é uma dupla de irmãs em que uma sacrifica a outra em defesa de Alpha, sendo condecorada com o título de “Gamma” (Thora Birch).

A antagonista é vista, inclusive, como um exemplo até quanto ao abandono da sua filha. A morte da irmã de Gamma, Frances (Juliet Brett), é um ataque despoletado pelo trauma provindo do abandono do seu filho, momento retratado na temporada anterior – o bebé resgatado por Connie (Lauren Ridloff) é o filho de Frances.

Alpha é mãe de todos, menos de Lydia. E todos a seguem, menos Lydia. Esta é a sua fraqueza, ainda que Alpha tenha levado os Whisperers a crer que matou a filha. Neste episódio, acaba por confessar a Beta não ter conseguido fazê-lo. Novamente, a lealdade de Beta a Alpha é retratada; este é um segredo que o “grandalhão” ou “B” (alcunhas atribuídas por Alpha 7 anos antes) guardará.

Jace Downs/AMC

O final do episódio coincide com a cena com que o primeiro episódio terminou, o olhar entre Carol (Melissa McBride) e Alpha, cujo significado é claro: a guerra entre os Whisperers e o conjunto Alexandria-Hilltop-Oceanside está longe de ter terminado.

Num episódio focado inteiramente nas personagens de Alpha e Beta, a história dos Whisperers continua a compor-se gradualmente. No entanto, fica áquem de um desenvolvimento consistente e verdadeiramente esclarecedor.

A única certeza continua a ser a peculariedade dos Whisperers, e as últimas palavras trocadas, em sintonia, por Alpha e Beta, são o suficiente para o descrever. “Caminhamos na escuridão, somos livres. Banhamo-nos em sangue, somos livres. Não amamos nada, somos livre. Não tememos nada, somos livres. Não precisamos de palavras, somos livres. Acolhemos os mortos, somos livres. Isto é o fim do mundo.