“Júlio César” estreia-se no Teatro Nacional São João, no Porto, entre os próximos dias 11 e 20 de outubro. A tragédia de William Shakespeare, traduzida por Fernando-Vilas Boas, conta com a encenação de Luís Araújo.

Fonte: Divulgação

“Quando se abate um tirano, ergue-se a tirania”. Este é o mote dado pela Ao Cabo Teatro, responsável pelo trabalho apresentado na cidade Invicta. Assumida como uma peça-problema, densa e controversa, esta autorreflexão pretende que o público interrogue os mecanismos da história e do presente.Dessa maneira o texto recorre à ambiguidade entre a vida privada e a responsabilidade pública, a questões relacionadas com a política e com a moral. Mais que uma tragédia pessoal, a peça retrata aquela que foi a tragédia de Roma, enquanto cidade e enquanto berço de uma civilização. Para que tal se suceda, as justificações para o assassinato do Imperador são levadas a cabo num estilo discursivo que pretende manipular a população.

UMA APRESENTAÇÃO QUE BEBE DE OUTRAS LEITURAS

Para o encenador, a peça é lhe vista “A primeira vez como tragédia, a segunda vez como farsa e a terceira vez como um meme”. Esta leitura é tirada de textos complementares que ajudaram à encenação desta peça, onde os autores debatem a confiança cega no estado democrático, onde sempre nos questionamos acerca do que correu pior e onde nunca questionamos o próprio sistema.

Questões como “Porquê esta confiança na democracia?” ou “Poder ao Povo?” são questões levadas a cena e Luís Araújo confessa que quando leu o texto, imaginou que o mesmo se podia passar nos corredores do Parlamento. Justifica que o “momento atual por si só justificaria a encenação de um conflito de poder. Num mundo cada vez mais dividido de uma forma bastante simplista, para não dizer fictícia, entre defensores e detratores, incendiado pela desinformação (…) é um tema partilhado entre a realidade de nosso tempo e a peça de Shakespeare”.

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Esta leitura contemporânea de um texto basilar da história do teatro, escrito por William Shakespeare, é nos apresentada de uma forma bastante politizada, de maneira a que o espectador possa criar a sua própria narrativa, não só pelos momentos passados na peça, senão também pelos jogos de sombras e espelhos desenvolvidos na proposta cenográfica da mesma.

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O espetáculo contará ainda com sessões especiais. A primeira acontecerá dia 18 de outubro, com uma conversa após a récita, com moderação de Jorge Louraço Figueira e na última sessão, a tradução simultânea para Língua Gestual Portuguesa. Os bilhetes encontram-se à venda entre 7,50€ e 16€.