Projeto Gemini, o novo filme de ação de Ang Lee, chega esta quinta-feira (10) aos cinemas portugueses. Criado com a tecnologia 3D+ em HFR (High Frame Rate) – velocidade de 60 fotogramas por segundo – está a ser vendido ao público como uma experiência inovadora e imersiva, mas será que o é?

Acompanhamos Henry Brogan (Will Smith), uma espécie de agente secreto que trabalha para o governo americano e está prestes a reformar-se. No seu suposto último trabalho, percebe que foi enganado e matou alguém pelos motivos errados. Ao tentar entender o porquê de lhe terem mentido, acaba por se tornar num alvo do próprio governo para o qual trabalha.

O problema é que quem o persegue é um outro que, na verdade, é ele mesmo. Passo a explicar a parte syfy deste filme de ação: uma empresa secreta que brinca com o ADN para alcançar o soldado perfeito, a Gemini, criou um clone de Brogan.

Apenas olhando para a narrativa e sem irmos muito longe, vemos que este filme não é nada inovador. Pelo contrário, segue a trajetória de muitos filmes de ação. Em 2019, também estreou Assalto ao Poder e as semelhanças são óbvias. Claro que podem dizer que este introduz uma vertente syfy, mas quantas histórias também já conhecemos, onde há gémeos maléficos ou até mesmo robôs?

O filme limita-se a repetir tudo o que já vimos, sendo terrivelmente previsível, e gasta o seu orçamento em viagens para colocar o elenco em diversos cenários do mundo.

Quanto à tecnologia utilizada, não posso dizer que é assim tão impressionante. Apercebemo-nos mais da sua presença nas sequências de luta, mas o resultado é muito artificial. Há uma desumanização das personagens, parece que não têm movimentos reais. Além disso, há uma sequência de fuga em mota, em que só me conseguia lembrar do GTA V. Afinal, estou a ver um filme ou uma cena de um jogo?

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Will Smith em Projeto Gemini

Fotografia: Projeto Gemini/Divulgação

Quanto à tecnologia para criar um Will Smith mais novo…não me convenceu nada. Sempre que aparecia em tela sentia um estranhamento, sobretudo nos seus olhos que não têm um movimento natural. Mesmo sendo estranho, se fosse coerente acabava por passar despercebido ao fim de algum tempo.

O problema é que, no final do filme, os movimentos do personagem são super mecânicos, ele parece mais alto que o próprio Will Smith, e há alguns segundos em que nos apercebemos que a tecnologia claramente falhou – vemos uma cara diferente daquela que vimos durante todo o filme e volta ao “normal” em seguida.

Em alguns momentos, o filme tenta ser engraçado. Consegue? Sim, mas rimos por terem sido escolhidas piadas tão básicas e não por serem, de facto, engraçadas.

Ainda assim, Projeto Gemini vai ser adorado pelos fãs de ação que não se importem com falhas visuais e, provavelmente, pelos fãs de Will Smith.

Crítica. 'Projeto Gemini' não encanta com nova tecnologia
3.9Valor Total
Representação5
Argumento3
Banda Sonora3
Fotografia4.5
Efeitos Visuais2.4
Realização5.5
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