The Walking Dead 10x01: um satélite... russo?
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The Walking Dead regressou esta segunda-feira (7), e esta 10.ª temporada promete responder a algumas das questões que ficaram no ar com as anteriores. Vê aqui a análise do primeiro episódio.

Atenção! Este artigo contém spoilers.

The Walking Dead marca o seu regresso, todos os anos, para outubro. A série está no ar há quase 10 anos, e ainda conta com personagens que apareceram na 1.ª temporada, em 2010: é o caso de Daryl Nixon (Norman Reedus) e Carol Peletier (Melissa McBride), ou até Michonne (Danai Gurira, 2ª temporada), que continuam a provar que são a alma dE The Walking Dead e desde a 9.ª temporada nos mostram que a série faz sentido sem Rick.

Rick Grimes (Andrew Lincoln), o ícone da série, desapareceu durante a 9.ª temporada, levado por Jadis e um helicóptero desconhecido. O desaparecimento de Rick constitui uma das questões que ficaram por responder, da perspetiva do espectador. Já para os que deixou, o seu desaparecimento foi dado como a sua morte.

A linha cronológica que separa esse momento do primeiro episódio da décima temporada conjuga vários anos. Isto já é um hábito da série: o tempo passa sempre vagarosamente durante toda a temporada para, num momento específico, haver um corte que nos leva a cidades já reconstruídas e crianças já crescidas.

Jackson Lee Davis/AMC

Rick Grimes Jr (‎Antony Azor) ainda é novo, pelo que a Grimes de serviço é Judith. Judith Grimes (Cailey Fleming) é exatamente aquilo que querem que a vejamos como: é uma miúda de sensivelmente 10 anos, mas abre o episódio a matar um walker a sangue frio. Honra o pai e o irmão Carl (Chandler Riggs), que faleceu na temporada 8, mordido por um morto-vivo.

Os conflitos entre os grupos prediletos do público e os Whisperers (ou Murmuradores) continuam, apesar do estabelecimento de barreiras e o geral cumprimento das mesmas por parte dos grupos de Alexandria, Hilltop (do qual agora fazem parte os habitantes do Kingdom, após o mesmo se ter deteriorado) e Oceansiders. São encontradas caveiras, cadávares e até uma camada de pele humana, em Oceanside e na floresta. Os Whisperers não desapareceram.

E por falar em inimigos, Negan (Jeffrey Dean Morgan) é a personagem que queremos continuar a ver na série. Alguns estão desapontados pela evolução da personagem, que passou do maior vilão da série – honorable mention para o Governador (David Morrissey), também, nas primeiras temporadas – a aquele que apanha legumes em Hilltop. Porém Negan não deixou de ser relevante e a inimizade entre os Saviors e os outros grupos não foi esquecida. Uma conversa entre Negan e Gabriel (Seth Gilliam) mostra bem como as táticas do sarcástico e prepotente vilão funcionam.

Jackson Lee Davis/AMC

Negan e Lydia (Cassady McClincy), filha de Alpha (Samantha Morton) e ex-membro dos Whisperers, são-nos mostrados como dois renegados em Hilltop, que tentam ser aceites numa comunidade que não consegue confiar neles.

E por outro lado, vemos uma personagem que recorrentemente tenta ignorar a aceitação dessa mesma comunidade: Carol. O coping mechanism de Carol, desde o início da série, é uma tentativa de isolamento. Esteve em várias das comunidades. É admirada por todos. No entanto, mais uma vez, vemo-la reticente em ficar em algum lado, depois de ter deixado Ezekiel (Khary Payton) na temporada anterior.

Sendo a amizade de Carol e Daryl uma das amizades mais adoradas pelos fãs, este episódio é uma esperança fútil aos mais dedicados: há uma sugestão de fuga por parte da dupla, ora de barco ora com a mota de Daryl. (Spoiler alert: não acontece.)

Carol e Daryl trazem-nos uma das perguntas mais relevantes das dez temporadas: “Isto é tudo o que há por aí? Enfrentar pessoas?“. Mais cedo, Aaron (Ross Marquand) também perguntava a Michonne se eles seriam realmente os “bons” da história.

À medida que The Walking Dead se prolonga, os fãs abandonam a ideia de que talvez os consecutivos banhos de sangue seriam mais justificáveis se se tratassem de mortos-vivos e não de vivos. Sejamos honestos: ninguém quereria ver dez temporadas de uma série em que os únicos eventos são lutas contra mortos-vivos.

Para essa monotonia, basta-nos o seguimento habitual de qualquer episódio de The Walking Dead atualmente: uma quantidade ridícula de walkers no início, que causam perigo; sequência longa e lenta de acontecimentos; uma quantidade ridícula de walkers no final, que causam perigo e, talvez, a morte de alguma personagem.

O grande enigma do episódio é algo a cair em alta velocidade do céu, que no final se percebe tratar-se de um satélite. A comunidade online não perdeu tempo a formular teorias: um satélite russo? Estará relacionado com Maggie? Com Rick?

De qualquer forma, a tudo pegou fogo. De repente, há walkers a arder.

Jackson Lee Davis/AMC

Este episódio não nos traz as respostas que procurávamos, mas há garantias de que a temporada o fará.

Maggie Rhee (Lauren Cohan) voltará, após ter desaparecido de cena na temporada anterior, tendo-se juntado ao grupo de Georgie para encontrar novas comunidades. E a última cena fica a cargo dos olhos claros de Alpha e de Carol, que se encaram à distância enquanto o genérico gradualmente se eleva no background.