Joker já chegou aos cinemas portugueses. É uma nova abordagem a um vilão já conhecido, que pretende focar-se nos motivos que levam Arthur Fleck a tornar-se em Joker. Mais do que um filme de super vilões, fala da marginalização da diferença na sociedade.

O Espalha-Factos reuniu algumas curiosidades desconhecidas para saberes mais sobre a forma como o filme de Todd Phillips, protagonizado por Joaquin Phoenix, foi pensado e executado.

Gotham é Newark

A cidade em Nova Jérsia foi a escolhida para ser pano de fundo desta história. O filme é ambientado em Gotham nos anos 80, o que supunha um problema. A cidade foi criada tendo como inspiração Nova Iorque, mas era necessário que não houvesse muitos arranha-céus, já que a cidade que não dorme era assim na altura.

Desta forma, Newark foi a feliz contemplada, uma vez que a arquitetura e a atmosfera mantêm a essência de uma Nova Iorque de há 40 anos.

Durante a rodagem de Joker, 20 interseções de Newark estiveram com acesso restrito ao público e foi necessário o destacamento de uma equipa de 29 polícias para que não aparecessem pessoas ou veículos que pudessem destoar da envolvência criada pelo filme.

Ainda assim, há partes do filme rodadas nos bairros nova iorquinos de Brooklyn e Bronx por manterem características de há alguns anos, e ainda em espaços interiores situados em Manhattan.

Uma maçã por dia

Para dar vida a Arthur Fleck, Joaquin Phoenix teve que perder mais de 23 quilos. Para conseguir a transformação, o ator comprometeu-se a uma dieta rigorosa que não incluia muito mais que uma maçã por dia.

O realizador do filme, admite que a ideia foi sua. “Queria que o personagem parecesse faminto e pouco saudável, como se fosse um lobo mal nutrido”, disse Todd Phillips.

Fonte: NOS Audiovisuais

Phoenix desde o início

A relação entre protagonista e realizador tornou-se bastante estreita e o ator acabou por contribuir ativamente para o processo criativo de construção do filme. Isto porque Phillips é também o argumentista da fita, e afirmou que escreveu Joker sempre com Phoenix em mente para o interpretar.

“Enquanto os outros estão a fazer cálculos, o Joaquin está a tocar jazz. Ele é simplesmente um dos melhores, é destemido. O trabalho que desenvolve é corajoso e vulnerável e sempre pensei que se o conseguisse conseguiríamos fazer algo especial”, elogia Phillips.

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A dedicação do ator ao papel que explora as nuances de doenças do foro psicológico é notado pelos seus colegas. A atriz que interpreta a sua mãe no filme, Frances Conroy, chega mesmo a afirma que conhece Arthur e não Joaquin. “Ele é apenas a personagem. Deixa-se a si próprio para trás e vive apenas na realidade da cena”, diz a atriz veterana.

Um diário bem real

Em várias cenas de Joker, Arthur aparece acompanhado de um diário recheado de desenhos e prosa. O objeto foi criado pela equipa de adereços do filme, mas cada entrada do diário foi escrita na própria letra de Joaquin Phoenix. Mais tarde tudo o que escreveu teve que ser passado para digital para aparecer durante o filme e foi colocado nas cenas em pós-produção.

O ator admite mesmo que dava por si a escrever no diário antes da rodagem do filme, como parte do processo para entender Joker.

Há música escondida no filme

A banda sonora do filme está a cargo de Hildur Guðnadóttir. A compositora diz que recebeu instruções para fazer música baseadas nos sentimentos que o guião lhe inspirassem e foi isso mesmo que fez, pegando naquilo que chama “multidimensionalidade simples”.

Por esse motivo, apesar de o instrumento mais audível ser o violoncelo, há temas tocados por uma orquestra sinfónica composta por 90 músicos que estão em segundo plano.

“Senti que isso ia ao encontro da personagem. Ele é visto de uma certa maneira e há muitas camadas de complicações por detrás dele, mas que ele não consegue ver. Pensei que ao orquestrar os temas dessa maneira, para que os instrumentos não sejam sempre audíveis, tu pensas que estás a ouvir apenas o violoncelo, quando, tal como acontece com Arthur, há camadas detrás disso”, explica Guðnadóttir.

https://youtu.be/zAGVQLHvwOY