branca como neve
Divulgação/NOS Audiovisuais

‘Branca Como Neve’: A maçã podre das adaptações do clássico dos Irmãos Grimm

Braca Como Neve, o novo filme da realizadora luxemburguesa Anne Fontaine (Coco Antes de Chanel Gemma Bovery) é uma adaptação adulta do clássico infantil dos Irmãos Grimm, A Branca de Neve. Tenta ser um hino de empoderamento e emancipação sexual feminina, mas não consegue atingir o seu objetivo.

Tal como em A Branca de Neve, a premissa do filme de Fontaine ronda à volta de uma bela jovem. Claire (Lou de Laâge), após uma tentativa falhada de assassinato levada a cabo pela sua invejosa madrasta Maud (Isabelle Huppert), acaba por ficar a viver numa pequena vila onde se vê finalmente livre da rotina citadina e desprendida das relações monogâmicas tradicionais. O seu rapto e experiência de quase-morte não lhe afligem – Claire não está interessada em perceber o que se passou, e parece não ter ninguém que se preocupe com ela. Não avisa nenhum amigo ou familiar (para além de Maud, que não atende o telefone) do seu paradeiro, e não é assombrada por nenhum trauma.

Lou de Laâge
Claire e Clément (Fotografia: Divulgação/NOS Audiovisuais)

Instalada na pequena vila abençoada por Santa Salete, Claire apercebe-se do efeito que a sua beleza núbil causa nos homens e decide envolver-se (sexual e platonicamente) sem compromissos e amarras com sete “príncipes”, (nenhum deles anão, como no enredo original). Todos os homens com quem Claire estabelece qualquer relação parecem pensar que esta é feita de açúcar e ela goza disso – afinal, é bom ser desejada. Entre flertes e brandas rejeições, a jovem e os seus interesses amorosos dançam o velho jogo hollywoodesco de homens completamente normais e uma mulher deusificada que todos tentam seduzir.

Lê também: Joker. 5 coisas que de certeza não sabes sobre o filme 

Fontaine tenta à força toda que nos apaixonemos por Claire, mas quem rouba o protagonismo em Branca Como Neve é Isabelle Huppert. Na verdade, a sua atuação é das poucas coisas (senão a única) que se destacam ao longo de todo o filme. O figurino é imaculadamente pensado para que Huppert encarne a versão moderna da cínica madrasta.

Branca como neve
Isabelle Huppert como Maud em ‘Branca como Neve’ (Fotografia: Divulgação/NOS Audiovisuais)

O filme não é longo mas parece ser – passa meia hora e nenhum desenvolvimento importante acontece. A protagonista é enfadonha e parece cativar apenas aqueles com quem interage em cena. O grito pelo empoderamento feminino é implícito na liberdade sexual e poligâmica de Claire. Porém, apenas pisca-se o olho ao feminismo quando Claire refere que “está finalmente livre, ninguém é de ninguém” e ao rejeitar um dos seus interesses amorosos quando lhe tenta oferecer um telemóvel, acentuando novamente a sua recém-descoberta emancipação. Os diálogos são pobres e focam-se sempre na beleza de Claire, que recebe sem desconforto os elogios de um velho padre e os avanços inapropriados de um livreiro de meia idade.

Exibição e estreia nos cinemas portugueses

Branca Como Neve será exibido no dia 4 de outubro às 21h30 no Cinema São Jorge, no âmbito da 20.ª Festa do Cinema Francês. Estreia nos cinemas portugueses a 24 de outubro.

Reader Rating0 Votes
0
4
Mais Artigos
Tom Hanks e Rita Wilson
Tom Hanks e Rita Wilson já voltaram aos EUA