Yann Tiersen regressou a Portugal com dois concertos. O multi-instrumentalista esgotou o Coliseu do Porto na sua segunda noite por terras lusitanas. O novo álbum All serviu de desculpa para um espetáculo rico.

Por volta das 21h30, os espetadores ainda estavam a entrar no recinto portuense quando começaram GEYSIR. A dupla alemã foi o ato de abertura e apresentou um suave rock progressivo enquanto não chegava o artista principal.

Meia hora depois, a leitura de um pequeno texto fez-se ouvir no Coliseu do Porto, com a sala às escuras. A voz feminina inglesa contou uma pequena história sobre um encontro com a Natureza, o que deu asas a uma reflexão sobre o impacto do Homem no Ambiente.

Lê também: DEAD COMBO: UM OLHAR SOBRE AS CORDAS DA BOA FAMA
Yann Tiersen

Fotografia: Sofia Matos Silva

O preâmbulo bastante sincronizado com as preocupações atuais da sociedade terminou e Yann Tiersen pisou o palco. O compositor deu início ao concerto sozinho. O começo apenas pelo piano minimalista transmitiu uma sensação de intimidade que perduraria ao longo da noite.

Depois de três temas, o resto da banda junta-se a Yann Tiersen. Alex destacou-se entre os membros da equipa, visto ser uma pequena máquina. O seu objetivo era reproduzir sons da Natureza, gravados durante algumas das viagens do multi-instrumentalista.

O álbum All foi tocado na íntegra de uma ponta à outra. Cada nota levava os presentes por uma viagem ao universo sonoro de Yann Tiersen. A fusão de música com sons ambiente permitiu ouvir pormenores belos da Natureza.

A fluidez das faixas do disco nem sequer era interrompida por aplausos. Não que o público não quisesse presentear os músicos, mas o respeito pelas melodias impôs-se. Mesmo assim, nas alturas certas, o Coliseu do Porto ovacionava os elementos em palco.

Yann Tiersen

Fotografia: Sofia Matos Silva

Entre piano, acordeão, melódica, cravo e algum trabalho de percussão, Yann Tiersen teve muitas oportunidades para demonstrar a sua mestria musical. Nenhuma igualou um solo de violino, já na fase final. O artista, em poucos minutos, conduziu os ouvintes por um turbilhão de emoções com um clímax fantástico.

Temas de Le fabuleux destin d’Amélie Poulain, o filme que deu a conhecer ao mundo a capacidade de Yann Tiersen, não faltaram para alegrar os fãs mais fiéis. O fim do concerto levou a um aplauso em pé por parte dos presentes que durou alguns minutos. As palmas não tinham acabado e os artistas já estavam a regressar para o encore que terminaria a noite.

Lê também: CRÍTICA: VITA & VIRGINIA, A HISTÓRIA DE AMOR POR CONTAR

Finda a viagem sonora, o público portuense abandonou o local já a contar os dias até nova visita de Yann Tiersen. Nessa noite, em particular, o compositor francês utilizou a Música para conectar o Homem à Natureza. Talvez agora, mais do que nunca, esta união seja importante.

Yann Tiersen

Fotografia: Sofia Matos Silva