Nick Murphy atuou, na passada quarta-feira (2), no Coliseu do Porto. Anteriormente conhecido como Chet Faker, o músico australiano apaixonou o anfiteatro com a sua voz, apresentando-nos o seu mais recente álbum, Run Fast Sleep Naked (2019).

Este novo álbum, que assinou já como Nick Murphy, é uma compilação de 4 anos de viagens. Foi inspirado em locais e momentos vividos pelo músico nesse período de tempo.

Depois de ter tocado no NOS Alive, em 2015, e no Vodafone Paredes de Coura, em 2017, o músico australiano regressou a terras lusitanas para dois concertos. Os fãs receberam-no, expectantes com o reencontro, nos Coliseus de Lisboa e do Porto esta terça e quarta-feira, respetivamente. O Espalha-Factos mostra-te o que se passou no Norte:

A abertura do concerto ficou a cargo de Cleopold, que nos abraçou com palavras afetuosas e um sintetizador.Cleopold, Coliseu do Porto

Nick Murphy começou o espetáculo da mesma forma que começa o álbum: diz-nos que “não é feito de pedra” e que “foi cá posto com um coração fraco“. Deste lado confirmamos enquanto se ouve que não se é “demasiado velho para cantar uma música bem alto” ou “para ouvir um público novo”.

A Hear It Now segue-se o legado de Chet Faker enquanto tal. O público praticamente salta quando Gold soa, provando assim que Built On Glass (2014) e Chet Faker continuam bem vivos.

A energia mantém-se para 1998, e ainda para o regresso de Nick Murphy com Harry Takes Drugs On The Weekend. Os versos entoados combinam com a cena: “guess I’m losing my mind”, uma guitarra atirada que falha o suporte e vai arrastada no fio do microfone por onde o australiano se movimenta.

O que aprendemos neste concerto a nome próprio de Nick Murphy é que toda a discografia conta. Os próximos 10 minutos seriam um reviver de um EP de 2015, Work, com a emblemática Birthday Card e The Trouble With Us.

Yeah, I Care encontra um forte contraste no que se lhe segue.

No momento mais bonito do concerto, em que o público acompanha na entoação perfeita todas as palavras de Nick Murphy, ouvimos uma versão acústica de I’m Into You, tocada apenas no teclado pelo australiano, agora sozinho no palco. É a única música tocada do seu primeiro EP, Thinking In Textures, de 2012.

O seguimento lógico só poderia ser Believe (Me), uma das últimas faixas de Run Fast Sleep Naked. A voz de Nick Murphy é a chave durante estes minutos.

A seguir a Novacaine and Coca Cola instala-se alguma ânsia entre os fãs. Nick Murphy diverte-se a mostrar as suas habilidades no piano, deixando dicas, numa ou duas notas, de que a próxima música seria uma das mais aguardadas pela plateia. Mas só quando se ouve o trompete há a confirmação: Talk is Cheap (,“my darling”)  é cantada por todos.

Os músicos abandonam o palco mas o público não está convencido; já se sabe que voltarão. O concerto fecha com chave de ouro ao som de Dangerous e, de seguida, Sanity (que ele mesmo questiona). Nick Murphy despede-se do público portuense que reagiu de forma efusiva ao tão esperado regresso. O novo álbum e a nova identidade não desiludem e, ao fim de mais de uma hora de concerto, ficou claro que o artista permanece fiel a si mesmo, ao mesmo tempo que ambiciona agora por palcos maiores.

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