Catarina, a Grande é o novo drama histórico de grande escala da HBO, repleto de intrigas palacianas, guerra e sexo, mas que também é uma grande história de amor. A minissérie acompanha a segunda metade do reinado da imperatriz Catarina da Rússia. A estreia em Portugal aconteceu esta quinta-feira (3) na HBO.

Imagem: divulgação HBO

A minissérie acompanha Catarina, a Grande durante a segunda metade do reinado da imperatriz que mais tempo reinou a Rússia. Catarina sobe ao trono em 1762 após um golpe que retirou e assassinou o seu marido, Peter III. Originalmente alemã, Catarina adotou, ao casar, um novo nome, assim como religião e cultura, identidade que mantém até à morte e que a tornou russa aos olhos da população. É com a imperatriz já estabelecida no trono que nos encontramos no início da série, quando esta conhece Potemkin. A série acompanha os dois nas várias etapas do seu romance e, à medida que envelhecem, vemos também como muda Catarina enquanto a Rússia se torna um dos grandes poderes da Europa, nesta que é a Época de Ouro Russa.

Helen Mirren é Catarina

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Em 2007, Helen Mirren vestiu de forma absolutamente brilhante a pele de Isabel II, no filme A Rainha. A sua prestação levou-a a ganhar o Óscar de Melhor Atriz. Este ano, a atriz inglesa volta ao ecrã para dar corpo a outra grande figura feminina: Catarina, a Grande.

Determinada e poderosa, assume amantes como qualquer outro rei antes dela, numa corte que gira à sua volta. Uma mulher que não só tomou como se segurou ao poder, reinando até à sua morte em 1796, com 67 anos – numa época em que muitos não chegavam à velhice. Talvez por isso, Helen Mirren seja uma escolha tão acertada. Vivaz, alerta, dinâmica, Mirren torna Catarina mais real. Uma mulher que ama, que se enerva, que também se ri e se diverte com empatia, mas que pode ser impiedosa. Que vive a vida na sua plenitude.

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Ao longo da série, acompanhamos o envelhecimento de Catarina, cujas circunstâncias a tornam cada vez mais cética. Do discurso abolicionista à expansão imperial, as guerras consecutivas obrigam-na a pôr de lado alguns dos seus princípios morais. Mas é o medo constante da traição, do golpe ou da revolta que a tente tirar do trono, que mais a atormenta e adormece o seu idealismo. Para além das guerras no estrangeiro ou das revoltas populares, são os egos dentro do palácio que mais a ameaçam, principalmente o do filho, Paulo I.

Uma história de amor

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Grigory Potemkin é o grande amor de Catarina. Ele é tão violento e sedento de aventura como é fiel e despretensioso com Catarina. Jason Clarke brilha no papel, conseguindo tornar esse homem de opostos uma realidade no ecrã. Catarina podia contar com Potemkin, um distinto militar, para a expansão do seu império, mas isto implicava longos períodos afastados. As cartas que trocam são os momentos românticos e verdadeiros que aliviam o pesado ambiente das intrigas palacianas da corte.

Uma grande produção

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Catarina, a Grande é uma grande produção da HBO, onde a caracterização e cenários em grande escala nos levam diretamente para essa corte russa do século XVIII. Gravado na Lituânia, Letónia e Rússia, esta minissérie tem tudo: romance, violência, intriga e um grande elenco que a traz à vida. Para além de Helen Mirren e Jason Clarke, temos Gina McKee no papel de Countess Bruce, amiga e confidente da rainha, Rory Kinnear é o político Nikita Panin, e Roxin Roxburgh interpreta Grigori Orlov, o seu amante que liderou o golpe que a pôs no trono mas cuja ambição política cansa a imperatriz e leva à perda do seu status como favorito.

Imagem: divulgação HBO

O seu formato é episódico (4 episódios), permitindo à série focar-se em momentos particulares durante o longo reinado de Catarina. Assim, o primeiro episódio apresenta uma revolta militar rapidamente silenciada e o segundo a Revolta Pugachev (1773-75). Estes eventos, assim como as guerras com a Turquia, orientam-nos temporalmente na série, para aquele que se perder com os saltos temporais entre episódios.

(Re)contar a história

Mais que tudo, é refrescante ver um drama histórico como este ser centrado numa mulher – e numa mulher verdadeiramente poderosa, impiedosa, culta, que amou e que não teve vergonha de o fazer, mas cuja corte nunca deixou esquecer que era mulher. Atrás das costas ou após a sua morte, Catarina foi caluniada e vilificada pelos seus opositores políticos, pelos invejosos da corte e pelo próprio filho, tornada uma piada sobre o seu apetite sexual voraz. Mas a série reconhece estes mitos e desmonta-os, tentando mostrar a verdadeira Catarina, em toda a sua complexidade.

A minissérie conta com Helen Mirren como uma das produtoras executivas, que trouxe Nigel Williams e Philip Martin para o projeto como escritor e realizador, respetivamente. Catarina, a Grande já está disponível na HBO Portugal.

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