Depois de anunciaram o fim da banda, o Espalha-Factos passa em revista os mais de 15 anos dos Dead Combo, um dos mais singulares projetos na música portuguesa.

Foi com uma publicação longa na página do Facebook, em jeito de carta de despedida, que os Dead Combo comunicaram ao grande público o fim da carreira. A dupla composta por Tó Trips e Pedro Gonçalves nasceu como fruto de um acaso feliz, que se viria a tornar num dos mais prestigiantes projetos a nível nacional,

A precisar de uma boleia, Tó conheceu Pedro em 2001, num final de um concerto. Como Pedro Gonçalves não tinha carro, os dois foram então a pé até ao Bairro Alto e, no meio da conversa, surgiu a ideia de gravarem um álbum em tributo a Carlos Paredes.

Um ano depois, o duo forma os Dead Combo e, em 2004, lança o primeiro disco. A partir daí, o grupo tornar-se-ia num dos mais singulares na música portuguesa. As influências da guitarra portuguesa são notórias, mas as incursões a outros universos musicais como blues, jazz e folk fizeram com que os Dead Combo se destacassem.

A estética do duo também foi considerada. Tó Trips e Pedro Gonçalves apresentam-se em palco e nas capas dos discos ostentando um vestuário que faz lembrar cowboys de filmes Western de Sergio Leone, com uma pitada de Quentin Tarantino pelo meio.

A “mãozinha” de Anthony Bourdain

Em 2008, os Dead Combo lançam Lusitânia Playboys, um dos trabalhos mais reconhecidos do grupo e ganham um estatuto de banda de culto para o público português. Três anos depois, editam Lisboa Mulata, que expandiu o espectro sonoro albergando características da música africana.

Até que, em 2012, o conhecido chefe norte-americano Anthony Bourdain dedica um episódio à cidade de Lisboa na série No Reservations. Para além de António Lobo Antunes, Tó Zé Brito e Carminho, os Dead Combo são também um dos grandes destaques do programa, conseguindo assim alcançar um público além fronteiras.

Pouco tempo depois da transmissão nos Estados Unidos, três discos do projeto de Tó Trips e Pedro Gonçalves entram diretamente no top 10 dos discos mais vendidos de world music loja do iTunes.

Mark Lanegan faz “check in”

Com muitos concertos ao vivo e passagens por festivais, o duo lança mais dois álbuns de estúdio (A Bunch Of Meninos e Odeon Hotel) e um disco de novos arranjos dos temas mais consagrados, acompanhados por um conjunto de instrumentos de cordas (As Cordas da Má Fama).

O mais recente disco, lançado em 2018, conta com a participação de Mark Lanegan. O músico norte-americano, juntamente com os Dead Combo, também participou em concertos em solo português. Primeiro no festival Vodafone Paredes de Coura e, este ano, no concerto em nome próprio no Coliseu dos Recreios.

Tó Trips e Pedro Gonçalves prometem que a última digressão será especial e pretendem “acabar em grande”. O público português ficará à espera para presenciar mais uma vez a genialidade deste grupo.

Em 16 anos, os Dead Combo editaram sete álbuns de originais, três discos ao vivo e um DVD.