A apostar num conceito completamente diferente do que já vimos, Criminal chegou à Netflix a 20 de setembro e já conquistou uma boa parte dos amantes de policiais (e não só).

Os 12 episódios estão divididos em quatro partes, gravadas em línguas diferentes: inglês, francês, alemão e espanhol. Apesar do formato inovador, o segredo do sucesso desta nova série prende-se com o facto de o foco da investigação estar nos interrogatórios, e não na análise das cenas de crime em si.

David Tennant é o protagonista do primeiro episódio deste policial. Após a sua enteada de 14 anos ser encontrada sem roupa e com um saco de plástico na cabeça, o médico Edgar Fallon é acusado de agredi-la sexualmente e matá-la. Acompanhado de uma advogada e dois detetives no interrogatório, e há quase 23 horas fechado naquela sala, “sem comentários” é a frase que o Doutor Fallon repete vezes sem conta em resposta às perguntas que lhe são feitas.

Sem uma confissão à vista, eventualmente entra um novo detetive na sala e o seu discurso torna-se na peça-chave para fazer Edgar contar uma versão bem diferente da verdade. O plot twist que se segue, e para não arruinar o fator surpresa, é algo que aconselhamos a que vejas por ti prometemos que não te vais arrepender.

Sala de interrogatório da série Criminal

Personagem de Hayley Atwell a ser interrogada (Fotografia: Jose Haro/Netflix)

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O mais fascinante no meio disto tudo é o espectador perceber que o segredo está nos detalhes e que nada é feito ou dito por acaso: tudo tem um significado. “Se vamos gravar uma cena focada no David Tennant durante dois minutos, existe um motivo para isso. O objetivo é questionarem-se porque é que isto está a acontecer. Ele está a tentar dizer-me alguma coisa e eu preciso de saber o que é”, afirma Jim Field Smith, um dos criadores de Criminal.

Também George Kay sublinha a importância de pequenas ações inofensivas à primeira vista: “Por exemplo, quando David tira o casaco durante uma das cenas, isso tem o intuito de nos fazer interrogar se ele está realmente com frio ou vergonha mas acabamos por perceber que, quando ele o veste de novo, é porque se sente mais protegido. São estas coisas que acabam por ser importantes”.

Desde as roupas das personagens à maquilhagem ou até aos acessórios presentes em cena, tudo foi estrategicamente pensado para nos dar pistas (algumas falsas) acerca dos motivos que os levaram a cometer tais crimes. A tensão sentida em cada episódio tem também a ver com o backstage da investigação, neste caso, a sala de alta tecnologia por detrás do vidro opaco e onde se encontram vários elementos da equipa de investigadores, monitores que transmitem close-ups dos criminosos e o famoso relógio que marca o tempo (por vezes bastante limitado) que os detetives têm para obter uma confissão.

É por estas e muitas outras razões que os críticos e fãs prevêem que Criminal arrecade várias nomeações para os Emmys do próximo ano (e não só). 

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