As Galerias Romanas da Rua da Prata, em Lisboa, têm aproximadamente dois mil anos. Contam a história de uma Lisboa que era ainda Olisipo, uma cidade importante para o comércio romano. Só abrem duas vezes por ano, mas será possível descobri-las em breve nos dias 27, 28 e 29 de setembro.

Na Rua da Prata, por baixo dos carris dos elétricos lisboetas e dos edifícios pombalinos, escondem-se galerias romanas que datam do século I d.C. Foram descobertas na sequência do terramoto de 1755 e sabe-se hoje que foram construídas debaixo de água.

A água é precisamente uma das razões que não permite visitas às galerias durante todo o ano, já que chega até um metro de altura dentro do monumento. Além disso, há que garantir a conservação da estrutura e a segurança dos visitantes.

Dentro das galerias, há pingos de água que caem do teto e deixam o chão molhado e escorregadio. No início do século XX, as galerias eram usadas como cisterna e ficaram, assim, conhecidas como “Conservas de Água da Rua da Prata”.

Galerias Romanas

A água no chão das galerias (Fotografia: Carolina Correia/Espalha-Factos)

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Atualmente, pensa-se que a função desta estrutura fosse suportar a construção de edifícios. Joana Sousa Monteiro, diretora do Museu de Lisboa, explica que as galerias mantêm essa utilidade. “A estrutura de criptopórtico, que tem cerca dois mil anos, continua, ainda hoje, a exercer a mesma função, ou seja, a suster neste momento o casario pós-pombalino, e também já contemporâneo com as construções que se têm vindo a fazer.”

Apesar de permanecer estável e funcional, só há uma parte da estrutura que é possível visitar. As galerias romanas da Rua da Prata representam aproximadamente um terço da área total existente.

Envoltas em mistério, estas galerias arrecadam cerca de três mil visitantes cada vez que abrem ao público. Assim, a partir desta sexta-feira (27), esperam-se mil visitantes por dia.

A diretora do Museu de Lisboa disse que se está a planear um centro de interpretação, tal como uma entrada alternativa à atual. O centro “dedicado a este monumento, parte da história da Lisboa romana, deverá abrir ao público no decurso dos próximos dois anos”, esclareceu Joana Sousa Monteiro.

Porém, acrescentou que “ainda não sabemos se será possível vir cá abaixo com permanência ou não; está em estudo, em termos da estrutura, saber se isso será possível”.

Poesia, visitas internacionais e acessíveis nas galerias romanas

Atriz a ler texto de poesia nas Galerias Romanas

No próximo sábado, haverá uma sessão de poesia nas galerias. (Fotografia: Carolina Correia/Espalha-Factos)

Nos próximos dias 27, 28 e 29 de setembro, as galerias romanas estarão abertas ao público, com algumas novidades. As visitas realizam-se entre as 10h00 e as 19h00 e há visitas em inglês (todos os dias, às 10h15 e 16h30), espanhol (27 e 29, às 15h30) e em Língua Gestual Portuguesa.

Além destas novidades no que toca às visitas, haverá mais atividades nas Galerias Romanas. A 28 de setembro, às 19h30, realiza-se uma sessão de poesia. No dia seguinte, há um percurso pedestre pela Lisboa romana – Felicitas Iulia Olisipo – das Galerias Romanas ao Teatro Romano (29 de setembro, 11h30 e 16h00).

É obrigatório fazer uma inscrição online e levantar o respetivo bilhete para poder visitar as galerias. Para mais informação, consulta o site do Museu de Lisboa