O drama sueco And Then We Danced, de Levan Akin, estreou-se este ano no Festival de Cannes. Foi trazido para terreno nacional com o Festival Queer Lisboa, que está agora a decorrer até ao dia 28 de setembro.

A longa mostra-nos um cenário conservador, do qual o protagonista terá de se libertar à medida que se vai descobrindo e amadurecendo.

Merab (Levan Gelbakhiani) treina desde pequenino no Ensemble Nacional Georgiano com Mary (Ana Javakishvili ), sua melhor amiga e quase namorada. É um rapaz esforçado e trabalhador que vê tudo mudar quando, repentinamente, se começa a sentir atraído pelo novo colega de dança.

O filme tem uma boa estrutura narrativa que nos deixa suficientemente preocupados com a história deste rapaz. Queremos que vença na vida e alcance os seus sonhos. A longa preocupou-se exatamente em estabelecer primeiro essa necessidade, porque afinal a dança faz, e sempre fez, parte da vida do personagem.

O romance que se segue é secundário nesse sentido, embora cativante para o público, pois acompanhar o primeiro amor de alguém traduz-se numa montanha russa de emoções.

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Levan Gelbakhiani, Ana Javakishvili e Giorgi Tsereteli em “And Then We Danced”.

Todo o elenco se destaca com boas atuações, mas o protagonista, interpretado pelo estreante Levan Gelbakhiani, rouba o ecrã, ora com o seu ar tímido, ora com o seu ar confiante e decidido. Não me admira que voltemos a ver o ator.

As maiores falhas do filme estão em ser demasiado barulhento. A dança muitas vezes pede a música, sendo que o corte de uma sequência estridente para uma silenciosa é abrupto. Além disso, nunca conhecemos a fundo o nosso protagonista e a sua dinâmica familiar. Apenas sabemos que o irmão é rebelde, a mãe está sempre por casa, o pai trabalha numa feira de rua e a avó é quem segura o barco da família.

Além disso, sendo um coming of age gay, vemos semelhanças nítidas com a narrativa de Carmen Y Lola, drama espanhol exibido também no Queer Lisboa, significando que existe já um conjunto de clichés a serem utilizados.

De qualquer modo, sem medos e de forma ousada, And Then We Danced quebra limites recorrendo a uma forma de expressão completa – a dança – que exige tanto da mente, como do corpo. Funciona como uma carta de protesto à norma e uma carta de amor à identidade própria.

O filme está a concorrer ao Prémio de Melhor Longa-Metragem e ao Prémio do Público. Volta a ser exibido dia 24 de setembro, às 17h15, no Cinema São Jorge.

"And Then We Danced" - A vida é uma dança
Elenco competenteArgumento ousadoSequências de dança Construção do protagonistaImpacto e efeito da narrativa no espectadorBanda sonora
Pouco aprofundamento de alguns personagensDemasiados clichésArgumento previsível
8Funciona como uma carta de protesto à norma e uma carta de amor à identidade própria.
Realização8
Argumento7.5
Representação8.6
Banda sonora7.5
Fotografia8.4
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