Kevin McNally: “O Johnny realmente criou o Jack Sparrow”

Kevin McNally trouxe à Comic Con Portugal 2019 uma série de histórias da sua experiência em alto mar (e, mais tarde, num green screen) enquanto Mr. Gibbs, o quartermaster da Pérola Negra na saga Piratas das Caraíbas.

Entre aventuras com Johnny Depp, e uma audição… menos do que ideal, o ator traz também uma perspetiva sobre como os filmes Blockbuster têm evoluído nos 16 anos desde que A Maldição da Pérola Negra (2003) estreou.

Jack Sparrow (Johnny Depp) e Mr. Gibbs (Kevin McNally) em Piratas das Caraíbas
Imagem: Disney

“A ideia do pirata exibicionista e excêntrico veio do Johnny [Depp]. O Johnny realmente criou o Jack Sparrow”, afirma McNally. “Depois das primeiras filmagens, ligavam da Disney a perguntar: têm a certeza? E o Johnny sempre defendeu a sua interpretação.”

O ator revelou que a personalidade brincalhona de Jack Sparrow não só vinha de Johnny Depp, como até se refletia nele.

“O Johnny era um comediante no set. Houve uma cena em que íamos usar fatos de borracha por baixo dos figurinos, para manter a temperatura.

O Johnny vira-se para mim: ‘Não vais usar pois não? Faz-te parecer mais gordo!’

Eu tinha uns quilos a mais na altura, então disse que não ia.

Um dia, estamos no barco a apanhar com canhões de água e o Johnny diz: ‘Então estás a usar o fato?’ Eu disse que não, e ele mostra-me o dele.

A verdade é que fiquei molhado e com frio a noite toda.”

“Inspiração para Mr. Gibbs? Numa garrafa de rum!”

Will Turner (Orlando Bloom), Elizabeth Swan (Keira Nightley) e Mr. Gibbs (Kevin McNally) em Piratas das Caraíbas
Imagem: Disney

Quando questionado sobre o processo de audição para o primeiro filme, em 2002, McNally revelou que foi uma cadeia de peripécias que, vá-se lá saber como, acabaram com ele a conseguir o papel.

Ninguém queria saber de filmes de piratas na altura. Os últimos grandes tinham sido para aí os do Errol Flynn“, desabafa o ator.

“Eu tinha estado a beber na noite anterior, quase desisti da audição. Um amigo disse-me: ‘Então, mas não é um pirata? Até vais melhor assim.’ Então eu fui. Pelos vistos resultou! Não recomendo a nenhum jovem ator que faça isto… a menos que o papel seja um pirata.”

McNally deu também umas pistas quanto à inspiração para a sua personagem, tendo-a encontrado “numa garrafa de rum”, enquanto que a voz é “uma imitação do Tony Hancock a imitar o Long John Silver da Ilha do Tesouro”.

Blockbusters “já não são muito divertidos de fazer”

Kevin McNally na Comic Con Portugal 2019
Fotografia: Diogo Marques (Espalha-Factos)

Kevin McNally realçou a diferença entre blockbusters do início dos anos 2000 – quando ainda havia investimento em efeitos práticos e pirotecnia – e as atuais produções de alto calibre, que são filmadas recorrendo principalmente a CGI, atores e alguns adereços.

“Houve um filme em que partimos um navio ao meio, a sério! Vinha um pilar enorme a descer e destruir o casco! Estávamos no mar constantemente. Fomos à Austrália, ao Havaí… Eram filmagens divertidas”, revela.

Pérola Negra e o Kraken em Piratas das Caraibas
Imagem: Disney

Por contraste, McNally compara este exemplo com os filmes mais recentes, Por Estranhas Marés (2011) e Vingança de Salazar (2017).

Nos últimos dois filmes, estávamos num navio suspenso com green screen pendurado em contentores a toda volta. Temos de imaginar o nosso redor… Já não são muito divertidos de fazer.”

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