O Espalha-Factos esteve presente no quarto dia de MotelX, que contou com a tão esperada antestreia de Midsommar. Nesta sexta-feira 13, foi exibido o filme de culto com o mesmo nome e até foi feita uma homenagem a Jack Taylor.

Entre outros destaques, estão os filmes que competem para Melhor Longa-Metragem de Terror Europeia: The Hole in The Ground, Why Don’t You Just Die! e Get In. No início da tarde, celebrou-se o quase desconhecido realizador colombiano Jairo com o documentário Jairo’s Revenge (La venganza de Jairo).

Jairo’s Revenge – 5/10

(Secção Doc Terror)

Jairo Pinilla

Jairo Pinilla (Divulgação/MotelX)

Jairo Pinilla Téllez foi o percursor do cinema de terror na Colômbia. Porém, o seu património cinematográfico foi confiscado pelo Estado e todos os seus filmes, à exceção de um, desapareceram. O documentário acompanha Jairo enquanto tenta recuperar esse património, ao mesmo tempo que realiza o seu último filme e primeiro em 3D.

Devido a problemas técnicos da organização do festival, os espectadores acabaram por ver o documentário do fim para o início. Ficámos a saber como terminavam esses esforços de Jairo, ainda antes de percebermos quem era.

O documentário foi retomado desde o princípio, dando a conhecer a figura mítica do cinema colombiano. No entanto, não foi muito eficaz em cativar o público, faltava-lhe vida e movimento.

Koko-di Koko-da – 6/10

(Secção Serviço de Quarto)

(Divulgação/MotelX)

Koko-di Koko-da (2019) é o resultado de uma parceria sueca e dinamarquesa bastante peculiar. Para começar é uma longa-metragem, com as características de uma curta. Ou seja, foca uma situação muito específica, sem desenvolvimento profundo das personagens intervenientes. Quase como se tratasse de um simples mito urbano, perpetuado ao longo de gerações.

A narrativa desenrola-se na companhia de música infantil. A melodia, equivalente à canção portuguesa ‘O nosso galo’, persegue o casal de protagonistas que apenas procura um local para acampar e esquecer os seus traumas. Tal hipótese parece longe da verdade.

Pouco depois de chegarem, deparam-se com três figuras alegóricas que os atormentam de maneira reminiscente a Laranja Mecânica (1971). No entanto, através de sonhos premonitórios do marido, ambos têm a oportunidade de repetir o mesmo dia vezes sem conta, ganhando várias oportunidades para escapar às figuras maléficas.

Johannes Nyholm, realizador da obra, aposta bastante no visual ao criar cenários metafóricos, abertos à interpretação. O tema em causa facilmente podia cair no repetitivo, mas o modo artístico de compor cada enquadramento continua a puxar o espectador rumo ao próximo confronto.

De quando em vez, a compreensão das cenas torna-se complicada, devido à presença de referências demasiado ambíguas para descodificar a ação. No fim de contas, ninguém fica muito esclarecido sobre o porquê de nunca mais se ter ouvido koko-di koko-da… 

Sexta-Feira 13 – 6/10

(Secção Sessões Especiais)
Sexta-feira 13

(Divulgação/MotelX)

O clássico dos anos 80 de Sean S. Cunningham fechou a sexta-feira 13 no MotelX, conseguindo encher uma sala cheia de Jasons prontos a assistir ao mítico filme de culto. O ambiente na sessão acabou por se tornar parte integrante da experiência, com o público muito recetivo ao decorrer da narrativa.

No entanto, há a noção prévia da construção previsível associada a este tipo de peças de época. Uma estranha vaga de homicídios assombra o acampamento Crystal Lake, encerrado há anos devido ao seu passado trágico. A tentativa de reabrir o espaço abre antigas feridas e ninguém está a salvo.

Sexta-feira 13 aborda todos os clichês possíveis e imaginários inerentes ao filme de terror. As personagens ignoram trágicas superstições, pedem boleia a estranhos, separam-se em vez de andarem em grupo, gritam “quem está aí?” para ver se o homicida revela a sua identidade, entre outras situações caricatas. As atuações são, também, excessivamente dramáticas, acrescentando ao argumento algum humor não intencional. A surpresa reside no facto de os jump scares ainda funcionarem bastante bem, apesar dos efeitos especiais claramente concordantes com as melhores capacidades da época.

No geral, não deixa de ser um marco histórico para o género e, o que falta em qualidade, acaba por ser preenchido pelo estatuto emblemático da obra.

Homenagem a Jack Taylor

Jack Taylor no MotelX (Foto: MotelX)

Jack Taylor, ator conhecido por trabalhar com Jesus Franco, Amando de Ossorio, Paul Naschy e até Roman Polanski, esteve presente esta sexta-feira (13) no MotelX, onde foi homenageado. O seu trabalho foi relembrado nas palavras do próprio, conduzidas por Diego López Fernández, no documentário Jack Taylor, Testigo del Fantástico.

De seguida, foi exibido Necronomicon, filme de Jesus Franco gravado em Lisboa e Berlim, com Jack Taylor e Janine Reynaud. O desconhecido Karl Lagarfeld, pois o era em 1968, desenhou a roupa fantástica da protagonista deste filme onírico e desconcertante.

Necronomicon, ou Succubus, tem de ser visto tendo em conta a época em que foi feito. O filme não envelheceu propriamente bem e é muito peculiar. Ainda assim, é interessante ver uma Lisboa perdida no tempo, em que Janine Reynaud passeia semi-nua, sem passado, presente ou futuro.

Artigo escrito por Carolina Correia e Matilde Dias, na 13.ª edição do MotelX, em Lisboa.

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