Com mais de 40 anos de carreira, a obra de Bill Plympton foi celebrada na Comic Con Portugal. O ilustrador e criador de desenhos animados conta que recusou um contrato milionário com a Disney.

A convite do festival Monstra, o norte-americano falou no auditório Prime Theatre da Comic Con Portugal sobre a sua respeitada carreira. Começou por desenhar cartoons em jornais na década de 1970 mas o seu sonho sempre foi a animação. Desde a adoslecência na cidade de Portland no estado do Oregon, que Bill Plympton começou a fazer rabiscos. “O motivo pelo qual o fazia era devido ao mau tempo da minha cidade natal. Estava sempre sem nada para fazer e por isso comecei a ganhar interesse“, conta.

Atualmente com 73 anos de vida, Bill Plympton conta que sempre foi um fã da animação. Da Disney até à Warner Brothers, o sonho seria trabalhar com um destes estúdios de cinema. O norte-americano conta que, quando tinha 15 anos, chegou a enviar uma remessa com trabalhos para os estúdios de Walt Disney, como forma de fazer uma candidatura para trabalho.

“Sinceramente não estava à espera que me respondessem de volta. Escreveram [os representantes da Disney] que tinham gostado dos meus trabalhos mas disseram que era demasiado novo. Se bem me lembro escreveram também: ‘daqui a 20 anos volta a entrar contacto connosco’. Na altura fiquei estupefacto”.

Não aceitei porque iria perder a minha liberdade criativa”

Ao todo tem mais de 50 curtas metragens e sete filmes de animação no seu currículo. Your Face, de 1987, chegou a estar nomeado para um Oscar para melhor curta-metragem. Nessa altura, Bill Plympton recebeu uma proposta milionária, por parte de um advogado a representar os estúdios do Walt Disney.

“No primeiro contacto, fiquei super entusiamado. Afinal de contas, era um contrato de um milhão de dólares. Senti que o meu sonho de criança ia-se realizar. Perguntei-lhe [ao advogado] se podia continuar a ter os minhas próprias curtas. Ele respondeu que sim, mas os direitos iam para os estúdios. Depois fui percebendo que não podia perder a minha identidade. De certa forma, a Disney quis comprar os meus sonhos. Não aceitei porque iria perder a minha liberdade criativa”.

Fotografia: Diogo Marques / EF

A mudança iria implicar também dispensar os seus funcionários, o seu estúdio em Nova Iorque e fixar-se no estado da Califórnia. O norte-americano não quis submeter-se às exigências. Bill conta também que, provavelmente, o primeiro trabalho seria desenhar na longa-metragem Aladdin. “Soube, muitos anos mais tarde, através de colegas que a Disney queria que desenhasse a personagem do Génio (que teve a voz de Robin Williams), por isso podia ser um trabalho interessante, mas é apenas um rumor“.

Em jeito de workshop, Bill Plympton deu conselhos aos ilustradores que estavam na plateia. Revelou as suas três regras, que o norte-americano considera como fundamentais. “Primeira: a curta tem que ter cinco ou menos minutos (…) Segunda: tens que ter baixo orçamento. O valor máximo será mil dólares (…) E, por último, tens que ter uma curta com humor. Podes ter um ótimo conceito mas se não conseguires fazer rir, os estúdios não têm interesse”.