A SIC é líder há sete meses, desde que em fevereiro tomou de assalto o primeiro lugar que era da TVI há mais de uma dúzia de anos. Esta segunda-feira (9), a quarta edição do evento de apresentação Nova Temporada, foi a primeira que aconteceu em clima de liderança. No entanto, com prudência e vontade de continuar a ganhar distância. Em Paço de Arcos, ninguém quer lembrar o que é estar atrás.

Quem primeiro quis manter as hostes animadas no Capitólio, em Lisboa, foi Francisco Pedro Balsemão. O CEO da Impresa assegurou – “Nós não somos uma televisão de bazófia“.

Daniel Oliveira, mais à frente na mesma tarde, manteve a mesma linha – “Temos de estar focados naquilo de depende diretamente de nós, que é o trabalho que podemos fazer para melhorar cada programa, cada novela (…) Se estivermos focados tudo o que temos de fazer para que os programas sejam aquilo que queremos que sejam, trabalhar todos os detalhes, ler todos os guiões, ler todos os alinhamentos, corrigir os detalhes, aprimorar, voltar a gravar, voltar a fazer, se tivermos atenção a isso, estamos mais perto de ter os resultados que queremos ter. O nosso propósito hoje, que conseguimos ter esses resultados, é o mesmo.“.

A SIC certa

Francisco Pedro Balsemão SIC

Fotografia: João Marcelino / Espalha-Factos

E que SIC é esta? Balsemão diz que é “a SIC certa“, que “há 27 anos adora a responsabilidade e abraça a responsabilidade de fazer mais e melhor pelos espectadores“, relembrando logo a seguir a confiança que mais de 10.500 pessoas deram ao canal quando subscreveram a emissão obrigacionista.

O patrão relembrou o mérito coletivo das equipas do canal, dizendo que a confiança dos investidores passou também por elas: “Apostaram e confiaram em nós, nas nossas caras, no nosso sucesso e na nossa liderança“.

Daniel Oliveira, muito alinhado com o discurso de Balsemão, considera que “é fundamental, neste tempo feliz em que a SIC é líder, que se mantenham as premissas que nos trouxeram até aqui; manter o foco para não dormirmos na forma“, assegurando logo a seguir que não é por liderar que se vai deixar “de ter atenção à grelha, à gestão como é feita, que na SIC generalista, quer nos canais temáticos ou no digital“.

Nazaré SIC

Fotografia: João Marcelino / Espalha-Factos

Logo a seguir, deu o exemplo da novela Nazaré, em que, “com mais tempo para preparar“, houve também “mais tempo para editar, mais tempo para corrigir, para aprimorar, para gravar mais cenas que eram necessárias para reforçar as histórias que estávamos a contar“, considerando importante que, independentemente da liderança, se mantenha algum “distanciamento e sentido crítico” em relação ao trabalho diário. E, para já, deu resultado, com a estreia a representar o melhor registo da estação desde 2015.

Francisco Pedro Balsemão lembrou que em setembro de 2018, a estação estava três pontos atrás da liderança e agora tem quase seis de vantagem em relação ao segundo lugar, e por isso mesmo quer que a SIC continue “com o pé no acelerador” e seja capaz “de tirar partido comercial deste bom desempenho“, de modo a que possa “continuar a investir nas melhores pessoas, nos melhores conteúdos e na melhor tecnologia“, relembrando a matriz do canal, muito ligada ao rigor, à criatividade e à inovação.

A energia que se sente no ar

SIC Nova Temporada

Fotografia: João Marcelino / Espalha-Factos

Os rostos da SIC falam, com alegria, da mudança que se sentiu no canal e do tempo de vitória que se vive atualmente na estação. Daniel Oliveira, diretor-geral, é o resto mais visível da viragem, mas relembra que “em televisão não há trabalhos individuais, em nenhum programa há trabalhos individuais, por isso é a força do coletivo que faz a diferença“.

E foi o primeiro a verbalizar algo que se sentia, mas ainda não tinha sido traduzido em palavras: “Um dos aspetos que levo aqui deste dia é a energia que se sente em todos os rostos que aqui estão, nestes três elencos que aqui estavam, nos programas de entretenimento, na informação, esta energia – de facto as pessoas sentirem que o seu trabalho tem importância para o resultado final“, garantiu.

Mostrando-se confiante para o futuro, Daniel Oliveira considera que “os espectadores também vão sentir isso“, porque “quando as pessoas estão satisfeitas, com energia, dispostas para fazer bem, entregam-se também de uma maneira especial“.

Terra Brava: Ficção como a SIC nunca fez

Terra Brava SIC

Fotografia: João Marcelino / Espalha-Factos

Firme na aposta da ficção nacional, a estação de Paço de Arcos aproveitou já para lançar a próxima aposta do horário nobre. Terra Brava, protagonizada por Mariana Monteiro e João Catarré, está a ser gravada há cerca de um mês e Daniel Oliveira garante que, desta feita, a SIC quis “fazer algo que nunca fez“, que foi ambientar a novela “num espaço mais rural“.

Ao fazer isto, a estação reforça uma linha que quer tornar mais clara “de que Portugal não é só Lisboa” e assim, abre o horizonte “para paisagens lindíssimas“, com um elenco que “conta com um conjunto de atores que há muito tempo não víamos na SIC e alguns rostos novos“.

O diretor-geral garante ainda que, “para quem gosta de novelas, Terra Brava tem uma intensidade de escrita absolutamente formidável“. A história é da autoria de Inês Gomes, que também assinou Mar Salgado e conta com nomes como Sara Matos, Maria João Luís e Luciana Abreu no elenco.

Os elencos têm sido uma preocupação de Daniel Oliveira e, para Maria João Abreu, um dos motivos do seu sucesso, por “termos avós com idade de avós, netos com idade de netos e gente que há muito tempo não víamos na televisão“. E o responsável pela programação da estação considera que os elencos de Nazaré, Golpe de Sorte e Terra Bravasão muito sólidos”.

A complementaridade territorial da ficção foi também algo que preocupou a direção de programas. “A Terra Brava foi pensada com a premissa de termos a Nazaré ambientada no litoral e outra novela num ambiente mais rural. É uma opção, esta complementaridade, de não olhar para os produtos de forma isolada, mas olhar para a antena toda de uma forma global“, explicou Daniel Oliveira.

Estamos em Portugal, a trabalhar para portugueses e o produto novela gera uma identificação, que é muito importante. E a novela é também um produto que se quer familiar e agregador, e por isso a nossa lógica foi a de criar produtos com elencos de todas as idades, com histórias muito portuguesas que sejam bem escritas“, relembrando que é também a partir daí que é possível ter “ambição internacional“.