O filme-concerto inédito Amazing Grace, de Aretha Franklin, realizado por Sydney Pollack e Allan Elliot, estreia esta semana (12), nas salas de cinema portuguesas. O Espalha-Factos conta a história por detrás do filme que esteve “na gaveta” durante mais de 40 anos.

Editado originalmente em 1972, o álbum duplo ao vivo Amazing Grace é um dos pontos altos da notável carreira e discografia da conhecida “rainha do soul” norte-americano. O disco foi pensado, em conjunto com Jerry Wexler da Atlantic Records, com o intuito de fazer um regresso às raízes da juventude da cantora.

Gravado na igreja New Temple Missionary Baptish, em Los Angeles, Aretha Franklin cantou acompanhada pelo reverendo James Cleveland e pelo Southern California Community Choir. O filme serve agora como documento histórico para presenciar imagens inéditas que serviram para a gravação do disco.

Bastidores das filmagens

Aretha Franklin e seu coro gravando Amazing Grace

Aretha Franklin a gravar ‘Amazing Grace’ (Fotografia: Divulgação/Alambique)

Enquanto Franklin planeava o disco, os estúdios Warner Brothers aceitaram filmar a sessão em 1972. O director do Departamento de Música da Warner Brothers, Joe Boyd (produtor de Nick Drake e Pink Floyd), tinha sugerido contratar Jim Signorelli e a sua a equipa de operadores de câmara de 16mm.

No entanto, antes de Signorelli assinar o contrato, o director-executivo da Warner Brothers, Ted Ashley, mencionou o projecto durante uma reunião com Sydney Pollack. À data, Pollack fora recentemente nomeado a um Óscar de Melhor Realizador pelo filme Os Cavalos Também Se Abatem. Mal soube que seria um projeto com Aretha Franklin, o realizador aceitou de imediato.

No entanto, a pós-produção não correu da melhor forma. Mesmo com dois dias extraordinários de gravações, os montadores ficaram desesperados por não havia claquetes, nem marcas, que orientassem a sincronização do som com a imagem. Sydney Pollack contratou leitores de lábios e montadores especializados, mas não foi suficiente.

Como resultado, o filme ficou na prateleira durante quase 40 anos até que um antigo produtor da Atlantic e protegido de Wexler, Alan Elliott, foi ter com Wexler e depois com Pollack. Em conjunto, Elliott, Wexler, e Pollack falaram com a Warner Brothers sobre a possibilidade de usarem novas tecnologias digitais para fazer corresponder som e imagem, e fazer um filme a partir das imagens em bruto. 47 anos depois, o resultado final vai estar em exibição nos cinemas portugueses.

A voz da “América Negra”

Passados mais de 40 anos da edição original, Amazing Grace tornou-se num marco importante na História da música americana do século XX, nomeadamente no legado do gospel. Em termos comerciais, o álbum é o mais vendido na carreira da cantora e é também um dos mais vendidos no seu género musical. Só nos Estados Unidos, estima-se que tenha vendido mais de dois milhões de exemplares até hoje.

Para além da música, Aretha Franklin era reconhecida, a nível mundial, como “a voz dos movimentos dos direitos civis e da América Negra”. Em 1968, a sua voz foi ouvida durante o funeral de Martin Luther King Jr. e, em 1972, durante o funeral de Mahalia Jackson, a Rainha do Gospel. Em 1985,  a voz de Aretha chegou a ser considerada “recurso natural do Estado” pelo Departamento de Recursos Naturais do Estado do Michigan.

Depois de uma vida recheada de distinções e prémios, Aretha Franklin morreu em agosto do ano passado devido a um tumor no pâncreas.

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