Nesta quarta-feira, o fenómeno da pop chamado Billie Eilish aterrou em Lisboa e proporcionou um concerto inesquecível para a enorme moldura humana que esteve presente na Altice Arena.

O espetáculo foi anunciado em fevereiro no Coliseu dos Recreios. Esgotou em dias. No final desse mês, a organização passou o concerto para a Altice Arena e os fãs responderam à chamada ao esgotar novamente a lotação da sala — desta vez, a maior sala de concertos do país.

Com apenas 17 anos, Bille Eilish Pirate Baird O’Connell é um caso sério da música pop contemporânea. As visualizações dos seus telediscos no Youtube são prova disso mesmo, superando os 3 mil milhões.

O dia do concerto em terras lusas coincidiu com o lançamento do vídeo da canção ‘all the good girls go the hell’. À hora de publicação deste artigo, o vídeo já tem mais de 20 milhões de visualizações e está em primeiro lugar na lista das tendências em Portugal.

“Olha para mim”

Nas imediações da Altice Arena, era possível observar dezenas de resíduos que os fãs da Billie Eilish deixaram para trás. Garrafas de plástico, latas de refrigerantes, pacotes de bolachas eram empurradas pelo vento que se sentia ao final da tarde: um cenário deprimente, mesmo em contexto extraordinário como este. Dentro do pavilhão, o público maioritariamente adolescente e feminino mostrava-se entusiasmado e, ao mesmo tempo, nervoso; afinal de contas, Billie Eilish iria subir a palco dentro de pouco tempo.

Antes da estrela da noite, coube ao rapper Madeintyo de abrir o serão. Recorrendo a temas de outros artistas como XXXtentacion (‘Look at me!’), os milhares presentes na Altice Arena dançaram e deliraram com o norte-americano. Apesar de ter tido um problema técnico, o objetivo do Madeintyo foi cumprido, que, neste caso, foi entreter durante meia hora os fãs de Billie Eilish.

“Veni, vidi, vici”

No início de noite, parecia que o alerta laranja dado pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil para o distrito de Lisboa ainda se sentia dentro da sala. O calor era tal que chegou-se a ver casos pontuais de pessoas a sentirem-se indispostas devido às condições e a serem socorridas por equipas médicas.

As luzes baixam-se, fazendo com que o nível de histeria coletiva aumente. Ouve-se gritos de alegria e de chamamento da Billie Eilish. Exibe-se no ecrã gigante um vídeo com uma silhueta feminina a fugir de um monstro com dentes pontiagudos. À medida que os músicos de Billie entram no palco, os gritos parecem ficar mais agudos, mas quando a artista entra em cena, os gritos ficam ainda ensurdecedores.

Vestida com uma t-shirt do Demónio da Tasmânia dos Looney Tunes, a norte-americana atira-se a ‘bad guy‘. O coro em uníssono era de tal forma intenso que abafava, por completo, o PA.

Segue-se ‘my strange addiction’, ‘you should see me in a crown’, ‘idontwannabeyouanymore‘. Apesar da tenra idade, Billie Eilish já trata o palco por tu e está completamente à vontade na Altice Arena. No entanto, quando aborda os seus fãs, revela timidez, algo compreensível face aos milhares que gritam por ela.

A peça fundamental

Finneas O’Connell, irmão de Billie e também responsável pela produção do álbum de estreia (When We All Fall Asleep, Where Do We Go?) divide várias tarefas em atuações ao vivo. É guitarrista, baixista e teclista consoante o tema.

A “vilã” continua o seu espetáculo, que tem uma componente visual bastante bem delineada. Destaque para ‘wish you were gay’ com Billie Eilish a ostentar a bandeira arco-íris para gáudio do público.

Durante ‘iloveyou’, a artista e o irmão têm um momento intimista. Uma cama que esteve pairada no ar, desce finalmente para palco. A canção é interpretada sobre um mar de luzes providas dos telemóveis. O tema acaba com o público a gritar “we love you” a Billie.

Na reta final, ouve-se ‘ocean eyes’, ‘when the party’s over’ e ‘bury a friend’. Em jeito de mini intervalo, o público assiste ao mais recente teledisco, enquanto Billie Eilish também observa em palco.

A despedida acontece ao som de ‘bad guy‘, terminando como começou: à semelhança da canção, Billie Eilish é mesmo a vilã da música pop. Com letras negras que abordam assuntos como a morte. Com um estilo característico, a norte-americana tem todos os ingredientes para ser mais que um fenómeno passageiro.