O maior prémio de literatura em inglês do Reino Unido já anunciou os finalistas para o Man Booker Prize de 2019. Este prémio é o mais importante galardão para qualquer autor que escreva em língua inglesa e veja a sua obra publicada no Reino Unido e Irlanda nesse ano e que, ao longo dos seus 50 anos de existência, já premiou autores como Ian McEwan, Kazuo Ishiguro, William Golding e Michael Oondaatje, assim como Anna Burns o ano passado pelo seu romance Milkman.

Fonte: Man Booker Prize

Os finalistas

Os finalistas deste ano não apresentam grandes surpresas, apesar de muitos dos nomeados na longlist que se esperavam ver passar para a segunda fase terem ficado pelo caminho, como Max Porter com Lanny, Deborah Levy com The Man Who Saw Everything ou Jeanette Winterson com Frankissstein.

Autores consagrados como Salman Rushdie e Margaret Atwood voltam a estar nomeados, ambos já galardoados uma vez com este prémio. Se um deles vencer de novo será apenas o quarto autor a alcançar o feito, juntando-se à lista que inclui J.M. Coetzee, Peter Carey e Hilary Mantel.

O vencedor é anunciado a 14 de Outubro. Até lá, descubra os seis finalistas abaixo, apurados de uma lista de treze nomeados.

The Testaments – Margaret Atwood (Canadá)

Imagem: Goodreads

Margaret Atwood lança a 10 de Setembro o mais aguardado livro do ano no mercado inglês, a sequela de A História de Uma Serva, publicado em 1985 e também ele finalista do Man Booker Prize de 1986. O clássico romance distópico feminista retrata os Estados Unidos num futuro próximo governados por um regime ditatorial teocrático machista no qual certas mulheres férteis, as servas, são usadas para a reprodução. The Testaments passa-se quinze anos após a última cena da personagem principal, Offred, e terá três narradoras, todas personagens femininas da obra. Esta é sexta nomeação de Atwood para o Man Booker Prize, tendo vencido em 2000 com The Blind Assassin.

Quichotte – Salman Rushdie (Índia)

Imagem: Goodreads

O autor, vencedor do Man Booker Prize em 1981, é nomeado pela sétima vez, agora com este romance inspirado no clássico D. Quixote de la Mancha sobre um medíocre autor de policiais, Sam DuChamp, que cria a personagem Quichotte, um vendedor que se apaixona por uma estrela de televisão. Para provar que é merecedor do amor desta atriz, Quichotte parte numa viagem que atravessará a América com o seu imaginário filho Sancho, ao mesmo tempo que o seu criador lida com uma crise de meia-idade. Um romance sobre assuntos extremamente atuais – como a crise dos opióides e da espionagem cibernética -, mas também universais como a incessante busca humana pelo amor.

10 Minutes 38 Seconds in the Strange World – Elif Shafak (Turquia)

Imagem: Goodreads

Elif Shafak, a autora feminina mais lida na sua terra natal, a Turquia, escreve tanto em inglês como em turco. Autora de dez romances, entre eles A Bastarda de Istambul, tende a dar voz às mulheres, migrantes e outras minorias nas suas obras. Neste seu mais recente livro, a personagem principal, Leila, relembra uma memória a cada segundo que passa após a sua morte. Cada uma delas guarda um aspecto importante da sua vida: onde cresceu, onde viveu, e as pessoas que conheceu – pessoas essas que estão nesse momento a tentar encontrá-la.

An Orchestra of Minorities – Chigozie Obioma (Nigéria)

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O segundo romance e a segunda nomeação para Chigozie Obioma, um dos mais contemporâneos e relevantes autores nigerianos do momento. O seu primeiro romance, The Fishermen, alcançou também o lugar de finalista do Man Booker Prize em 2015. Neste livro, Obioma inspira-se parcialmente numa história verídica e também na Odisseia de Homero para contar a história de Chinonso, um criador de aves cuja vida muda drasticamente ao evitar o suicídio de Ndali, por quem se apaixona. Quando a família rica de Ndali se opõe ao casamento, Chinonso parte para o Chipre na intenção de estudar na universidade, mas ao chegar descobre que foi enganado. Uma tragédia épica sobre determinação e destino contada na perspectiva do  chi, ou espírito do protagonista, de acordo com o estilo mítico da tradição literária do povo Igbo.

Girl, Woman, Other – Bernardine Evaristo (Reino Unido)

Imagem: Goodreads

Bernardine Evaristo é uma autora e professora universitária britânica cuja obra, que inclui oito trabalhos de ficção, se foca principalmente na diáspora africana. Conhecida por experimentar com a forma, este romance contém a história de doze protagonistas, maioritariamente mulheres de ascendência africana, de várias sexualidades, idades, classes e situação geográfica na Grã-Bretanha, e segue as suas vidas e as tribulações por que passam, cruzando linhas narrativas e tornando-se um livro vibrante, extremamente contemporâneo, polifónico e inovador.

Ducks, Newburyport – Lucy Ellmann (Estados Unidos da América/Reino Unido)

Imagem: Goodreads

Lucy Ellmann, nascida nos Estados Unidos e criada no Reino Unido, conclui a lista de nomeados com este gigante de quase 1,000 páginas e apenas oito frases. Escrito num escrito que poderá ser descrito como stream-of-consciousness ou fluxo de consciência, este é um livro que vai até aos limites da literatura para analisar a realidade americana contemporânea através da perspetiva de uma dona de casa americana que vai divagando sobre aquilo que a preocupa. Uma análise à brutalidade do passado e presente americano tocando em temas tão atuais como os tiroteios e o acesso à saúde, passando por um lamento à forma inativa como o mundo caminha para um desastre ambiental, num livro revolucionário em forma e conteúdo.

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