A nova temporada de Elite chega aos subscritores da Netflix Portugal esta sexta-feira (6) e mantém todas as caraterísticas que a fizeram viciante da primeira vez: há um crime de fundo, as personagens são complexas e têm sempre um segredo que as torna curiosas, o elenco foi escolhido a dedo para nos encantar os olhos, a realização parece-se cada vez mais com a dos videoclips.

Elite é como se fosse uma guloseima. Todos sabemos que há séries melhores, tal como todos sabemos que podemos obter açúcares de forma mais saudável a comer fruta do que a atacar um saco de gomas violentamente até lhe ver o fundo, mas… a vida não é só ver Chernobyl.

E se a combinação sensual, criminosa e dark com a rotina escolar que Elite nos oferece já foi explorada em Pretty Little Liars, Gossip Girl ou mesmo Riverdale, é contraproducente negarmos a nós próprios o prazer do bingewatching.

Vimos os primeiros dois episódios da nova temporada e a Netflix é, desta vez, especialmente parcimoniosa na informação que nos deixa publicar acerca do enredo. Após a morte de Marina (María Pedraza), assassinada por Polo (Álvaro Rico), o cocktail de acontecimentos no colégio de Las Encinas é cada vez mais explosivo. A escola ainda vive em luto e as marcas da morte no dia-a-dia são evidentes, mas isso não refreou o natural ímpeto dos estudantes para se envolverem em novas intrigas e problemas, ao mesmo tempo que todos sentem que a vida é efémera e deve ser aproveitada a cada instante. Desta vez, um desaparecimento é o mistério central da trama.

Elite 2 - Polo

Fotografia: Netflix / Divulgação

Numa abordagem mais crua à diferença de classes entre os alunos bolseiros e os alunos ricos da escola privada, a história torna cada vez notório que o dinheiro tudo paga e que a elite faz tudo, sem qualquer escrúpulo, para se proteger, ao mesmo tempo que personagens como Christian (Miguel Herrán) e Ander (Arón Piper) vivem em conflito consigo próprios e com o papel que ocupam nos seus próprios grupos.

Samuel (Itzan Escamilla), que vive na primeira temporada o arquétipo do “bonzinho”, começa a largar progressivamente esse papel nesta nova temporada. Busca vingança para o irmão Nano (Jaime Lorente) e, nesse percurso, começam a esbater-se cada vez mais as fronteiras entre o que é certo e errado. Esbatem-se também as separações entre núcleos, com todas as personagens a interagirem mais umas com as outras e a entrarem mais nos mundos umas das outras.

Lucrecia (Danna Paola) mostra, nestes novos episódios, um lado mais vulnerável, com o espectador a entender cada vez mais o outro lado da vilã implacável, muitas vezes caricatural, que nos foi apresentada na primeira temporada. A entrada em cena do irmão Valerio (Jorge López) vai também introduzir novas variantes e complicar as nossas teorias sobre a vida emocional da parceira de Guzmán (Miguel Bernardeau).

Lu e Valerio / Elite

Fotografia: Netflix / Divulgação

Nadia (Mina El Hammani), que no fim da primeira temporada mostra vontade de ter uma vida própria, está cada vez mais independente e autónoma, para desagrado do pai. E parece agora inevitável que vá lutar pela atenção de Guzmán que, por sua vez, está cada vez mais enraivecido e a tentar desesperadamente encontrar uma nova zona de conforto com Lucrecia.

Neste mundo de caos e imoralidade, toda a gente está infeliz. Mesmo quando a droga o disfarça, mesmo quando o sexo nos enche o ecrã. Elite é como aqueles chupa-chupas ácidos, mas no fim doces. É viciante, sacarose televisiva, uma série que nos serve shots intensos de temas fraturantes e sérios numa roupagem de fácil consumo.

Elite temporada 2

Fotografia: Divulgação / Netflix

 

 

Elite: Esta série é como um saco de gomas
O ritmo acelerado da açãoA abordagem de temas atuais como a islamofobiaPersonagens complexas e multidimensionais
Na ânsia de fazer tudo acontecer, alguns dos acontecimentos são demasiado precipitados e inverosímeis
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