Depois de o cantor surpreender o público português com a conquista do Grammy, o Espalha-Factos faz um apanhado de alguns dos momentos marcantes da carreira de José Cid.

Esta semana, os Grammy Latinos anunciaram que José Cid irá receber um prémio pela “excelência musical”. O músico português torna-se assim no segundo português de sempre a receber este prémio.

Em declarações ao Telejornal da RTP, José Cid confessou que já sabia da conquista há três meses, mas a Academia Latina de Gravação revelou agora, ao grande público, a lista dos vencedores. O músico junta-se assim ao fadista Carlos de Carmo na lista dos portugueses a conseguirem esta distinção.

Com 77 anos de vida e com mais de 60 de carreira, José Cid é uma figura incontornável do panorama musical nacional. Tem uma vasta obra editada e tem canções que fazem parte da banda sonora de imensos portugueses.

Participou por várias vezes no Festival da Canção, chegou a representar Portugal na Eurovisão com a canção ‘Um grande, grande amor‘ e tem também uma veia de rock progressivo que se tornou passaporte para um reconhecimento além fronteiras.

Primeiro veio o Quarteto e depois uma viagem no Espaço

No final da década de 1960, já com alguma experiência em algumas bandas como Conjunto Orfeão e Os Claves, José Cid integra o Conjunto Mistério, após uma audição. Este grupo viria a chamar-se Quarteto 1111, com Tó Zé Brito, Mike Sergeant e Michel Silveira a completar a formação.

Dividido entre obrigações militares e compromissos da banda, o Quarteto compõe o EP A Lenda de El-Rei D. Sebastião, em 1968. Já nos anos 1970, o grupo atua no festival Vilar de Mouros no mesmo dia que Elton John e Manfred Man. Nesta década,o artista integra também um outro projeto musical paralelo, os Green Windows.

O Quarteto 1111 acaba em 1975 e três anos depois, José Cid, em nome próprio, edita 10 mil anos entre Vénus e Marte, uma ópera de rock progressivo. O disco foi incompreendido no Portugal da altura, mas é considerado pelos especialistas e fãs do género musical como um álbum marcante e crucial.

Polémicas e o sample inesperado

Ao longo dos anos, José Cid foi acumulando prémios e vendas respeitáveis dos seus discos. O artista também esteve envolto em polémicas. Em 1994, uma revista social publicou uma fotografia ousada de José Cid parcialmente nu. O músico, na altura com 52 anos, tinha apenas uma moldura do disco de ouro a tapar-lhe as partes íntimas.

Em 2016, as redes sociais recuperaram um excerto de uma entrevista de 2010 do Canal Q, na qual José Cid fez declarações insultuosas aos habitantes da zona transmontana de Portugal. No ano seguinte, o rapper Jay Z fez uso de um sample de Todo o Mundo e Ninguém do Quarteto 1111 na canção Marcy Me. Tó Zé Brito e José Cid receberam parte dos direitos de autor, mas nunca divulgaram o valor monetário.

Aquando a sua participação no Festival da Canção 2018, o músico voltou a proferir duras críticas a alguns jurados do concurso.

Apesar de nem sempre ser uma figura consensual, José Cid, mesmo controverso, tem sido um artista relevante e os prémios ganhos fora de Portugal são prova disso mesmo. A música portuguesa está de parabéns.