Pedro Costa venceu o Leopardo de Ouro no Festival de Cinema de Locarno com Vitalina Varela. O filme inspirado na vida da atriz deu à própria Vitalina o Leopardo de Melhor Interpretação Feminina. Um filme português já não recebia o primeiro prémio de um festival de classe A desde 1987.

É uma grande honra, e espero que possa abrir portas para o filme ser visto em mais sítios do mundo”, disse o cineasta português, em declarações divulgadas pela organização do festival e citadas pelo Público. Vitalina Varela teve a sua estreia mundial no festival esta quarta-feira (14) e revelou-se o favorito dos críticos no sábado (17).

Vitalina Varela será distribuído nos Estados Unidos com estreia marcada para 2020. Irá ainda competir em mais dois importantes festivais de cinema. Em setembro, será apresentado no Festival de Cinema de Toronto, no Canadá e ainda no 57.º Festival de Cinema de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

O filme vencedor conta a história uma cabo-verdiana que espera encontrar-se com o marido emigrado em Portugal. Espera pelo seu bilhete de avião durante 25 anos, mas só chega ao país quando Joaquim morre, três dias após o seu funeral.

Uma “abordagem não-profissional” mereceu o Leopardo

Segundo Pedro Costa, “este filme pertence a Vitalina”. Os dois conheceram-se quando o realizador rodava Cavalo Dinheiro. Esse filme também inclui parte da história da atriz e deu a Costa o Leopardo de Melhor Realização em 2014.

O cineasta português tem vindo a acumular prémios no festival suíço. Já mereceu o Prémio Especial do Júri, em 2007, com Memories e, em 2000, uma menção especial com No Quarto da Vanda. Porém, nunca tinha trazido para Portugal o prémio principal de uma competição de primeira classe. O último filme a vencer essa distinção foi O Bobo, de José Álvaro Morais, em 1987.

“Tudo é possível até para um velho com um pequeno filme sem dinheiro”, foi outra das reações de Pedro Costa. Segundo o realizador, o filme foi feito com uma “abordagem não-profissional” e quer ajudar a comunidade cabo-verdiana a ser “protegida pelo cinema”.

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