A propósito do festival Bons Sons, em Cem Soldos, estivemos à conversa com Benjamim. O artista foi convidado em conjunto com Joana Espadinha para dar um concerto a dois – a forma de celebração da 10.ª edição do festival. Apesar de não ter material novo a apresentar, Benjamim falou da sua experiência no festival e de planos para um futuro próximo.

Já estiveste no Bons Sons há uns anos. Como é regressar a este mítico festival?

2015! A primeira e única experiência que tive no Bons Sons foi com a nossa primeira tour de sempre, que foi basicamente o grito de existência deste projecto. Foi a primeira vez que me assumi como Benjamim a cantar músicas em português e com um disco acabado de gravar. Viemos aqui tocar com uma só canção pública, Os Teus Passos, e tivemos uma receção absolutamente épica.

Então isso mudou o jogo, não?

Sim, obviamente! O Bons Sons foi a primeira vez que tivemos assim um público muito entusiasta. Passados quatro anos, voltar aqui já com dois discos e vir com a Joana [depois de gravarem o seu disco juntos], é voltar a um sítio onde já fui feliz.

Voltaste ao Bons Sons, na 10.ª edição, para um concerto com a Joana. Que truques têm na manga?

Não temos truques. Nós vamos tocar aquelas canções que não podemos deixar de tocar, tanto as minhas como as dela estilo best of dos dois. Ou seja, acabou tudo por ser uma escolha muito natural.

Foste produtor no disco da Joana. Como é que surgiu a colaboração no O Material Tem Sempre Razão?

Na altura fizemos a ‘Zero a Zero’ para o Festival da Canção, mas aí já estava muito avançado no processo de produção do disco. Aliás, quando me convidaram para escrever a canção para o festival passei muito tempo a pensar no que poderia fazer, mas concluí que mais valia fazer algo positivo com um projeto com o qual tinha familiaridade. Nesse sentido, a Joana Espadinha foi uma escolha natural. Ela é uma intérprete fora de série, estava a relançar a sua carreira, a começar tudo de novo… e portanto, ir ao Festival da Canção foi uma ótima ideia de recomeço.

Voltando um pouco ao passado. Quando regressaste de Londres não foste logo para Lisboa e decidiste ficar a viver no Alentejo. Cem Soldos, sendo uma aldeia, lembra-te de alguma experiência que tiveste lá?

Não, de todo. Claro que tem o aspeto rural e tem as suas semelhanças nesse sentido, mas é uma aldeia com um espírito muito diferente. Talvez tenha a ver com a região onde estamos. Infelizmente o Alentejo vive dias mais desertos e gostava que em Alvito houvesse alguém com visão, mais pessoas como o Luís Ferreira, – porque este festival nasce de uma grande visão – que contribuíssem positivamente para o desenvolvimento das suas terras ao invés de lhes virarem as costas.

A música brasileira foi o que te uniu ao Barnaby Keen, com quem fizeste o álbum 1986. Como é que a amizade surgiu?

Eu tinha posto uma canção do Chico Buarque e ele foi falar comigo perguntar porque tinha posto aquela canção. Estávamos em Londres e obviamente não é toda a gente que põe Chico Buarque a cantar, não é? Então ele veio ter comigo e começou a falar português e foi aí que “clicou”.

Mas só ficamos realmente amigos depois de eu já estar a viver em Lisboa e foi aí que começou o nosso projeto. Começamos a jammar em minha casa e aí pensamos “bora fazer um disco!”.

Com que outro artista internacional te vias a colaborar?

Com o Paul McCartney! Basicamente gostava de colaborar com todos os músicos que admiro.

Dois anos após teres lançado 1986, não há nada planeado para um futuro próximo?

Não tenho lançado nada porque ando muito ocupado com produções. Demos muitos concertos e passo muito tempo na estrada, mas tenho estado a escrever e estou há um ano e tal a fazer um disco novo. Tenho outro disco que fiz e não lancei, não o acabei…

E não há perspectivas para o lançares?

Há perspetiva para lançar tudo! Estou a acabar de produzir um disco que vai ser lançado no fim do mês e a partir daí vou estar 100% dedicado a acabar o meu próximo disco. É um projeto que tem sido adiado porque é um pouco difícil de equilibrar a carreira de produtor com a de músico e escritor.