De muito funaná se fez esta edição do Bons Sons. Depois de Fogo Fogo e do punk funaná de Scúru Fitchádu, o nome que está em todas as bocas portuguesas – Dino D’Santiago – teve a audácia de dar talvez o melhor concerto do festival. Num cenário sem grandes artifícios fez a festa, lançou os foguetes e apanhou as canas, mas o público ajudou.

O aglomerado de pessoas em frente ao Palco Lopes-Graça dizia muito sobre o que ia ali acontecer. Para apresentar Mundu Nôbu, Dino D’Santiago não precisou de artilharia pesada e foi autêntico como tenta sempre ser. A conexão ao público é o que o move.

Começou com Nova Lisboa, o grande êxito do disco, e antes que avançasse agradeceu a energia muito especial de Cem Soldos. A aldeia teve um papel de relevo na vida de cada artista, mas Dino D’Santiago foi diferente. Se quiséssemos acordar do sonho, já estaríamos em Cabo Verde a dançar ao ritmo de Sô Bô. E quando não se esperava, LITE SPOTS de Kaytranada irrompe a festa e quem estava só teve uma solução – tirar os pés do chão.

Pelo meio, o funaná deixou de ser meiguinho e encontrou conforto em batidas mais aceleradas e já a tocar em dance music”. Como não poderia deixar de ser, os Buraka Som Sistema também tiveram homenagem de Dino D’Santiago. A música portuguesa tem estado em constantes mutações devido a bandas como os Buraka, cujo legado é também o que Dino faz.

Já na reta final, Dino D’Santiago foi ter com o público e daí já ninguém o tirou. A emoção chegou quando fez uma versão de Sodade, de Cesária Évora – nada como voltar às raízes. Aí, ele terminou dizendo que a sua casa é Portugal e como bons tugas a efusividade foi notória. A grandiosidade dum concerto mede-se neste termómetro e com Dino D’Santiago garanto que foi febril.