Os pés, senhores, os pés pedem auxílio no último dia do festival. Depois de passar dias a correr as tascas, a fletir joelhos e a tentar reproduzir movimentos de anca, o corpo está desgastado e rejeita a dança. No entanto, Moullinex foi a escolha acertada para fechar a edição memorável do Bons Sons 2019.

Nada como um live set de Moullinex para nos levar ao descanso através do house com jeitos de funk. Talvez a fisioterapia que precisamos para recuperar seja precisamente a festa que nos tinham preparado. Em modo performance, paralelo ao palco onde a banda se encontrava, um dos membros aparece com pompa e circunstância vestido com folhos cor de rosa.

Além disso, em poucos minutos, esse mesmo artista aparece no palco principal já transformado. Movimentos de pantera, uma capa brilhante e um microfone na mão – o mais próximo de se estar numa aula de hidroginástica. Uma verdadeira passerelle de estilos e de dança, sendo que aí todo o cansaço se esvaiu. Nunca foi tão fácil estar vivo para testemunhar uma festa assim. O espaço que as pessoas deixaram entre elas era para o groove poder invadir.

Hypersex, o último disco lançado por Moullinex, ainda é o motor da festa. Não há paragens entre músicas, há apenas mudanças bruscas de ritmo e as nossas pernas lá acompanham. A culpa, no fundo, é sempre da tropicália. Cem Soldos foi uma discoteca ao ar livre e já com saudade de bater o pé nos despedimos do Bons Sons 2019.