Assim que temos o prazer de ver o cartaz do Bons Sons, há uma combinação que nos salta à vista: Glockenwise + JP Simões. Ao terceiro dia, conforme as escrituras, o conjunto ia de facto tocar mas a noite ditou o contrário. No fundo, ficamos a ver navios e JP Simões virou o Wally (sem a camisola às riscas) – afinal, onde estava ele?

Os Glockenwise trouxeram Plástico, editado no passado dezembro, com português para dar e vende (ao contrário dos restantes discos). Assim que a banda entra em palco, há algo que falta: o amigo JP Simões, que não estava presente. São várias as questões e tentativas de explicação do que poderá ter acontecido ao músico e os maus hábitos morrem devagar.

Ao fim de dois temas da banda de Barcelos, o artista decide pisar o palco e traz o saxofone em punho. Cambaleia por onde anda e quando começa tudo faz sentido. O saxofone não falha, porém a voz não deixa que as palavras saiam na sua totalidade. Tornam a parar e no intervalo entre músicas ele deixa escapar um audível “boa noite, Sudoeste”, que faz o público rir com algum nervosismo. As palavras arrastadas e o estado geral da situação não eram famosos.

Enquanto a banda avança sem medo para um alinhamento seguro e ainda em estilo de apresentação do novo disco, JP Simões decide fugir e inquieto senta-se ao fundo do palco. Já ninguém questiona os seus movimentos dúbios, no entanto ainda há esperança. Entre cigarros e abanões na cadeira, a coisa vai fluindo ao seu ritmo. A paciência dos Glockenwise está presa dentro duma ampulheta e a nossa também tem vida curta. Um dia, JP, um dia isto vai correr bem.